Heart Chat Bubble

Meu estranho eu.

Fiquei um bom tempo encarando essa pagina em branco. Não sabia o que escrever. Não sabia nem se continuaria a seguir com toda essa complicação que criei. Não sou do jeito que todo mundo me vê. E isso é fato. Não suporto essa chatice misturada com arrogância do mundo, e minha própria arrogância. Não aguento mais enfrentar o mundo e os meus medos. Cansei de impor regras. Cansei. Eu acordada e misturada entre a multidão. Aquele empurra-empurra insuportável. E eu queria apenas uma coisa. Queria encontrar o teu olhar no meio daquela muvuca. Eu queria te encontrar em qualquer lugar que fosse.
Acordei inúmeras vezes durante a noite procurando meu celular, procurando um rastro “dele” no meu mundo. Acordei inúmeras vezes pensando que ia morrer a qualquer hora, porque a dor que habitava dentro do meu peito era forte e nunca me abandonou. Acordei e sentia um frio insuportável. Um frio de febre alta. Um frio de abandono. Um frio que significava realmente a ausência de calor. Tenho mais medo do que me tornei, do que eu era antes. Eu sensata e fria. Estou querendo me dar a permissão de ser usada, o que tem de mal? Deixe que me usem. Estou acabada mesmo. Não quero me dar o valor, não mesmo. Queria ser a única, mas hoje, eu só quero sumir, desaparecer, sei lá, me afogar em meio de cobertores e quero esqueçam da minha existência. Procurar era tão bom. Era tão bom. Nossa, e como! Olha aquele ali, tem um sorriso tão igual ao “dele”.  Olhe aquele ali de camiseta pólo, tem o mesmo gosto. Olha o menino da escola é tão “ele”. Era bom enquanto havia amor e esquecia-se da dor. Meio poeta não é? E você sempre achou graça no meu jeito de escrever. Ninguém entendia o motivo para eu te amar, mas também ninguém me questionava. Mas quando houve a dor, todo mundo me questionou: POR QUE ELE?
Ué, e eu vou saber?
“Sou uma adulta, sensata e esperta. E por isso não sofro mais por nada e nem por ninguém. Sou uma adulta e esqueço que já fui criança um dia, e que meu sonho era apenas crescer.” – fico dizendo ao me enganar. Hoje não tenho mais tanta certeza se queria crescer. Às vezes, queria desistir de tudo. Não sei bem, sair por ai sem que ninguém me conheça. Sem que ninguém saiba das minhas cicatrizes e dores. Sem que ninguém tenha a mínima noção de quem eu realmente sou.  Tudo isso me irrita, e eu quero deixar para lá. Querem minha alma? Então, aqui está ela. Use e abuse. Ninguém mais se importa e eu passei a esquecer e ignorar. Eu sofri mesmo, amei mesmo e acabei sendo esquecida. Fui intensa demais e hoje só quero ser de menos. De menos abraços e menos provas de amor. Não quero nada, absolutamente nada.
A realidade estragou meus planos e eu me senti estranha, senti o amor estranho e senti o mundo tão estranho. Ele sorria ainda enquanto isso eu chorava. Chorava porque meus sonhos sempre acabam antes da hora e ninguém consegue realmente me dar o valor que eu tanto preciso. Eu chorei porque sempre era a estranha, sendo que eu queria ser tão normal, tão comum, tão simples. A realidade acabou com o que eu achava do amor, mas nunca consegui acabar com a minha dor. Chorei porque meu habito é chorar. Quando tudo dá errado primeiro eu choro para depois pensar. Eu gosto dos choros. O choro expõe a alma e acaba deixando todo mundo igual. Chorei, mas logo passou.
Sinto mais pena do mundo do que de mim. Sinto uma pena incrível, gigante e dolorosa do mundo e dele. Ninguém lutaria por ele como lutei. Ninguém. E o mundo não entende o motivo de nada. Nem eu mesma entendo .
O mundo é estranho, ninguém se comove com mais nada, ninguém ama, ninguém sonha. Todo mundo quer se dar bem usando as outras pessoas. Todo mundo quer fugir. E ele também era estranho. Eu fiz meus sonhos em cima dele, droga! Sempre me avisaram que nunca poderia deixar os meus sonhos nas mãos de alguém, e eu deixei porque achei que seria diferente, mas não foi.  Aprendi como tinha que ser aprendido. Criei expectativas, criei sonhos, mas acabei esquecendo.  Ignorei os fatos. Mas eu te amava tanto, tanto. Doía sem resposta. E vai continuar doendo até essa estupidez acabar. Qual é o drama? Não há mais nenhum. Tudo que tinha que se falar, já foi dito. Eu não quero dar audiência para uma dorzinha sem graça que fisga meu peito de vez em quando. Não quero lembrar “dele”, mesmo que eu saia por ai e encontre as pequenas características dele em outras pessoas.
Não quero me lembrar da voz ou do jeito que ele escrevia, ou até mesmo do jeito que ele conseguia pensar. Ele é apenas um menino cheio de frases feitas, sonhos feitos e eu fui a estranha que invadiu o mundo tão perfeito dele. Eu só sou uma estranha que tenta relatar as dores do mundo nessas linhas. Ele é apenas um cara. Um cara que eu daria tudo para sentar ao seu lado e me debruçar, e contar meus medos, meus sonhos e meus dramas. Ele é apenas um cara. E tudo mundo me diz isso. Eu não queria desistir, não queria ter que ir embora. Mas como eu sou teimosa, e estranha, era preciso desistir da vida sonhada para dar espaço para que ele sonhasse e ele sonhou, e eu nunca fiz parte dos sonhos dele. Nunca fui a parte bonita da vida dele, eu era a parte misteriosa , estranha e carente. Eu afetava sua vida sim, mas só no seu lado ridículo. E não era assim que tinha que ser, mas foi assim e vai continuar sendo até acabar essa estupidez.
Mas que se dane se ele é apenas mais um cara! Ele é o cara que poderia me fazer sentir viva. E eu sou apenas uma menina estranha, uma quase-adulta, uma quase-mulher estranha que tenta vencer os dias sem dor alguma. Eu sou apenas "a estranha" no mundo dele. A única coisa estranha nessa história sou eu. 

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