(PR)
Não sei porque de tanta saudade em escrever. Talvez seja o tempo que me falta em me encontrar ou a saudade que tenho do que eu nunca fui. A saudade do que eu nunca tive. Essa história de ter o que nunca foi meu, anda mais ultrapassado do que o destino traidor. Uma maneira em ter normalizado as lágrimas que não me deixam enxergar um pedaço se quer do futuro que pode estar em minha frente. O que eu posso dizer é que está normalizado todo esse sofrimento? Talvez seja essa vontade inútil de gritar o que não pode ser dito. Essa saudade em gritar gritos de silêncio que saem sem que eu perceba. Sem que eu as veja. Não vejo absolutamente nada. Não escrevo uma linha se quer. Não imagino uma linha se quer. Não respiro uma linha se quer. Tudo parado transbordando inutilidade. Mesmo assim, sinto saudade em escrever. Posso até passar coisas ruins e melancólicas, mas preciso gritar um pouquinho. Não sei em que pensar, acho que não ando pensando nada. Acho. Acho. Apenas acho. Não tenho certeza de nada. Nem tenho certeza do que eu estou tentando ser, do que eu fui. Não queria nem sentir essa falta em escrever aqui, ando me achando tão inútil. Porém, eu sinto. Sinto tão completamente como sinto toda essa dor que sinto agora. Dor de um passado que é tão presente que torna-se futuro. Tão envolta em meu futuro presente que não chega a ser passado. A dor é real, contraditória, pavorosa. Dor de fantasmas, de criaturas que se mostram aqui. Eu leio minhas criaturas horrorosas e de me conhecer tanto estou com medo de mim. Desculpe amor, decepciono sempre você e a mim. Queria prometer que não vou mais escrever. Queria prometer que não vai acontecer tudo mais uma vez. Queria prometer ser menos sensível e menos chata. Queria ser menos irritante, menos carinhosa, menos culpada e menos ... Eu! Verdadeiramente, queria apenas gostar de números e não sair multiplicando meus gritos de silêncio irritantes e cegos. Cego como minha cegueira incontrolável pelo futuro traidor. Cego de não enxergar as embaçadas lágrimas que meu deus, me afogam. O que fazer agora que não tenho nada que fazer? Seria talvez a mesma intensidade de dor de amar quem não está aqui para ser amada. Vejo a vida, assim tão completa passando diante de meus olhos que esqueci de consertar o meu relógio. Entre todo o amor e o ciúme me consumi de paixão, e agora, nada mais há em que me fortalecer. Me fortalecer em mim, quem sabe. Sem grades, sem asas, sem pés. Sem força, sem gritos. Estou gritando; Talvez arfando. Estou caminhando e vendo o tempo passar. Estou sendo apenas "estou", completando meu lugar vazio nessa droga de abismo tão escuro que nem sinto o que estou sentindo.
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