Que saudade menina, do teu cabelo, do teu perfume que exalava inocência e alegria. Sinto falta daquele sorriso singelo, que mesmo sem alguns dentes, era o mais bonito. Saudade de quando não tinha preocupações, e ficava até muito tarde brincando de boneca, em um mundo paralelo, bonito e cor de rosa. Diversão não significava internet, e sim brinquedos espalhados pela casa. Lembro das vezes que sozinha, esperou a visita de alguém, algum amigo que lhe fizesse companhia ou alguém para conversar, falar sempre foi um ponto forte teu.
Que falta eu sinto de te ver correndo pela rua, dando suas primeiras pedaladas sem rodinha, aquela foi uma grande conquista, a liberdade começava a se apresentar a você. Tempo bom que não volta, porque não só de ilusões se leva uma vida, há aquela triste realidade de que suas amigas de infância não vão mais te chamar pra brincar de casinha e já não há mais festinhas com mesas temáticas, e nem Papai Noel.
Quem te viu quem te vê, você realmente cresceu, fisicamente nem tanto. Hoje tem a responsabilidade que na infância tanto almejava, aquela tão sonhada imagem de “adulta responsável”, quem dera fosse uma brincadeira de coisa séria. Agora os erros não se apagam mais com a borracha, e nem com corretivo.
Apesar dos apesares, continua a considerar seus amigos como os irmãos que te faltaram. Infelizmente já teve que quebrar a cara por causa disso, um pequeno passo para o amadurecimento. Ainda gosta de cor de rosa e roupa nova, de maquiagem e do batom da sua mãe, de se olhar no espelho e ser quem quiser, uma atriz, cantora ou uma heroína. Ainda sonha com viagens pelo mundo. Já não quer mais ser manicure, nem cabeleireira, almeja ser educadora. Continua gordinha porque não abriu mão do chocolate e nem da pizza, até porque isso não seria tão fácil.
Mas ainda acredita nas coisas impossíveis, nos amores “eternos” e nos príncipes dos contos de fada. Ainda ajuda os outros, e por mais possessiva e ciumenta que seja, só quer demonstrar que se importa com o que é, e com os que são seus. Teu coração já não é o mesmo, já cresceu e tem novos moradores. Tem medo de escuro e ainda chora com injeção. Sinto que esse brilho no olhar diante do espelho continua a ser o mesmo, medroso, sonhador e feliz. Sinceramente, desejo que essas coisas não mudem.

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