Desculpe, mas hoje eu sou mais eu. Eu sei que há algum tempo atrás, ou até mesmo ontem, eu quis ser alguém, qualquer pessoa forte, qualquer pessoa amada, qualquer pessoa que tivesse valor para alguém, qualquer pessoa que não fosse eu. Fiz isso todas as vezes que omiti minha opinião, escondi minhas vontades, e as coisas que eu realmente queria dizer.
As pessoas não me aceitavam, não estavam satisfeitas com a "Eu" de todos os dias, sempre tinham reparos a fazer, e eu nunca consegui agradar a todo mundo, creio que não agradei ninguém totalmente, muito menos eu. Não usava, não falava, não vestia, não cantava nada do o que não fizesse parte do que esperavam de mim.
Mas um dia você se toca, um dia depois de dias, um dia depois de anos, um dia. E aquela garota montável, desmontável e descartável, vai dando lugar a garota carne, osso e coração, quem tem sentimentos, que tem vontades, que quer ter uma identidade, mas precisa de espaço.
Eu estava sufocada, entre paredes de limitações, eu não cometi nenhum crime, mas vivia presa, e cumpria uma pena desumana, eu não era o que eu queria ser. Enfim, minha carta de alforria, liberdade, chame como quiser. Agora eu estava livre, sem dono, sem passado, sem rotulo, uma folha em branco. E eu escrevi um novo eu, talvez não tão novo, mas que jamais fora escrito, e ali entre a caneta e o papel, palavras, palavras, sementes. E olha que linda flor eu fiz nascer?

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