Coloquei a data de 10 de julho de 2020 como o título pelo simples fato de que não consegui pensar em algo mais adequado.
Estou naquela famosa fase de viver um dia de cada vez. Eu que sempre fui tão ansiosa, vivendo um dia de cada vez? Chega a ser engraçado.
Mas, tudo bem.
Hoje eu quis escrever sobre sentimentos. Não que eu seja expert no assunto. Aliás, longe disso... Sempre fui boa em lidar com sentimentos alheios, não os meus. Até por isso, escolhi ser psicóloga né?
Mas com o passar dos últimos meses, onde tive que suportar minha própria companhia, eu passei a ter que ter muito contato com essa parte de mim. E descobri que eu também tenho sentimentos!
Era para ser engraçado, mas na verdade eu sei que não foi.
Entrei em contato com tanta coisa, que chega a ser difícil digerir. Eu simplesmente olhei para trás e fiquei só prestando atenção em todas as coisas que eu vivi, fazendo uma autoanalise sabe? O que nem sei dizer até que ponto é bom, mas seguimos.
Entre amigos, amores, dores, aprendizados, momentos... A minha vida foi ótima até aqui.
Mesmo quando falo das dores, eu sei que se não fosse por elas, eu não teria me transformado na pessoa que eu sou.
Às vezes a vida muda, às vezes a gente muda, às vezes a vida muda a gente ou gente muda a vida. E a vida atualmente tem me mudado bastante.
E desde o dia 10 de julho de 2020, eu mudei ainda mais.
Hoje é 02 de Fevereiro de 2021 e foi o dia que decidi continuar a escrever o texto que comecei lá em julho.
Durante esse tempo todo, aprendi muita coisa. Mas lembro que quando comecei a escrever o texto, eu estava achando que as coisas iriam melhorar bem rápido e que dali uns 2 meses eu ia poder continuar vivendo a minha vida tranquila. Só que não aconteceu. Desde então, se passaram 7 meses e as coisas agora, já andam longe de se tornar uma realidade possível.
Não vejo boa parte dos meus amigos há mais de um ano. E os poucos que vejo, me contento com a presença sem toque. Sem cumprimentos e sem abraços. Fico me perguntando se algum dia, eu vou olhar esse texto da mesma forma que olho para os outros, com a visão de que sofri e muito e superei. Será que um dia vamos superar tudo o que estamos vivendo?
Será que as coisas vão voltar de verdade ao normal algum dia?
São respostas que não dá para responder hoje. Mas que a gente, continua daqui seguindo: um dia de cada vez.
A pandemia me ensinou sobre muitas coisas e a principal delas foi a amar de longe. Seguir de longe. Aplaudir de longe. Eu obviamente, tive a opção de estar continuando a fazer tudo de longe e não nego a minha participação ativa nessa decisão. Parei de encontrar meus amigos, para protegê-los. Parei de ficar com o carinha "bacana" que meteu logo um romance na sequencia de dizer que estava apaixonado por mim para protegê-lo. Continuei em casa para proteger minha mãe. E tenho tomado cuidado até na hora de trabalhar para proteger minha colega. Até me despedir de uma das minhas melhores amigas que foi para outro país, eu tive que fazer de longe!
Se foi fácil?
Não.
Não é.
Não foi.
Permanecerá não sendo.
Permanecerá não sendo.
Mas na minha visão, sim é algo necessário. Me dói e não é pouco manter-me afastada e distante. E essa é a maior prova de amor que dou todos os dias a todas as pessoas que estão ao meu redor.
Não faço ideia de quanto tempo pode durar. E hoje tenho menos ideia ainda, do que quando comecei este texto.
Tudo que posso dizer é que, um dia de cada vez. Um dia de cada vez. Laís, um dia de cada vez.
E esperar o tempo e as coisas se ajustarem.

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