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Quarto de hotel.

 




Olhei nos olhos dele e vi de novo, toda aquela ternura de um tempo em que fomos felizes. Como se ele fosse ainda aquele rapaz de 18 anos e eu a garota de 17 tendo seu primeiro encontro de amor. Eu estava debruçada sob seu peito, pensando que maldita foi a hora que decidi estar ali. Ia dar merda, só podia dar muita merda. Mas me deixei levar pelo momento e aproveitei, como se pudesse ser a última vez.

Uns anos atrás, quando nos reencontramos, tentei ser o mais casual possível. Coisa rápida e tenho que ir trabalhar depois. Não dormimos abraçadinhos juntos naquele dia. Mas agora, mais uns anos depois, senti ele me abraçando com tanta força como se não quisesse me deixar fugir de novo. E tudo que eu queria era juntar as minhas roupas e deixar ele ali, no quarto do hotel, dormindo sozinho. E eu simplesmente, não consegui.

Foi nesse momento, que eu soube: deu merda mesmo. Se fosse outra pessoa, não teria eu pensado duas vezes... Eu teria partido e sem consciência pesada.

Revivi sentimentos de uma garota insegura e perdida, com muito medo do que aconteceria depois. E por Deus, haveria mesmo um depois. O que foi aquilo? O que significava?

Ah, eu me senti tão perdida e com medo de descobrir, que eu ainda sim, era apaixonada por ele. Mesmo depois de tantos anos. É meio louco pensar que isso podia acontecer. Depois de tantas pessoas chegarem e irem embora da minha vida, poderia eu pensar que ele ainda era a pessoa por quem meu coração disparava? Nem nos meus sonhos distantes, de quando eu era louca por ele... Eu pensaria que algum dia isso voltasse a acontecer.

Só que aconteceu e eu não soube, de forma alguma, segurar o rojão.

Tive todos os sintomas dos apaixonados. Borboletas no estomago, frio na barriga, dor de barriga, coração acelerado... e ele tinha sido a última pessoa a me causar tudo isso. Ele tinha sido mesmo o último. Há 7 anos atrás.

E o que aconteceu durante esse intervalo de 7 anos?

Bom, uma penca de amores fracassados. Sério mesmo, amores fracassados. Que não eram nada mais que um surto coletivo pra mim.

É sério, me apaixonei instantaneamente por uns 10 caras diferentes. E passou na mesma proporção que aconteceu. Rápido demais.

E aparentemente ninguém poderia ser igual a ele.

Parei e olhei, ele dormia tão gostoso, tão seguro. E a minha mente, trabalhando... Como uma máquina. Aliás, ela trabalha full time.

Mas ele tava ali, de novo, envolto nos meus braços... E eu sem conseguir dormir, porque queria muito ter a certeza que estava memorizando bem aquele momento. Para o caso dele não acontecer novamente.

Meu Deus, havia mesmo um depois.

Será que vou sobreviver?

Será que ele vai me ligar?

Será que eu vou ligar?

Será que eu vou sentir saudades?

E se eu sobreviver? E se ele me ligar? E se eu ligar? E se eu sentir saudades?

Haveria mesmo um depois.

Mas enquanto isso... deixa eu olhar mais um pouquinho ele aqui, abraçado comigo. Deixa eu sentir mais um pouquinho a respiração dele fazendo cocegas no meu pescoço. Que saudade de sentir isso...

Eu sigo olhando, pra ter certeza que não vou esquecer nenhum dos mínimos detalhes.

E com a chegada do depois, vieram as lembranças, a junção do “será” e “e se”... mas tá tudo bem. Eu consegui dar conta. E eu lembro, com ricos detalhes que ninguém pode saber, tudo que aconteceu aquele dia, naquele quarto de hotel.


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