De repente ele estava ali, novamente parado na minha frente com aquele sorriso
maldito idiota.
E eu senti como se nunca houvesse
passado o tempo. Mas na verdade se passaram 4 anos. Ele continuava do mesmo
jeito, despojado, descolado, sorridente, brincalhão, a única coisa diferente é
que já não tinha mais tanto cabelo. Vai ver que só eu mesma tenha mudado tanto o
meu jeito de ser desde o nosso último encontro perto do meu aniversário de 20
anos. Minha mudança foi tão perceptível que ele mesmo comentou, eu não sorria como
antes, não o olhava como antes e sinceramente, eu não sentia vontade de estar
por perto. Quando na verdade, ele houvesse sido a única pessoa que quis perto
de mim por muitos anos.
Nossa conversa foi vaga. A vida. A
formação, que ele não concluiu. O casamento, que eu não tive. As conquistas. As
mudanças. E o bebê, que eu também não tive.
Mas havia algo que eu não sabia
decifrar naquele dia. Por que depois de tantos anos ele reapareceu como se
absolutamente nada tivesse acontecido?
Pra me assombrar, só podia.
Naquele dia, ficamos 3h falando
tudo e não dizendo nada. Quando estava indo embora, parei no ponto de ônibus
onde nossa história começou... E por 2 segundos eu hesitei e achei que ele
fosse me beijar. Mas não. Ele me olhou com um olhar triste e disse que se
sentia perdido. Eu respondi “escolhas” e foi então que eu entendi o motivo pelo
qual ele me procurou. Ele precisava de ajuda para se encontrar, a mesma ajuda
que eu o forneci há quase 10 anos atrás, dizendo o que ele devia fazer e como
deveria fazer, porque eu queria que ele crescesse junto comigo.
Ele deu os primeiros passos e
depois disso, não precisou mais de mim.
E eu cresci também sem precisar
dele.
E depois de anos, ele estava ali...
Do jeitinho que eu queria. Precisando de mim de novo, e dessa vez eu não estava
feliz.
Mas eu cheia da minha compaixão, dei
a mão e disse “estou aqui com você”. Ele sorriu e não disse nada. Naquele dia,
nos despedimos com olhares, um sorriso torto e um tchauzinho.
Não demorou muito tempo, ele me
mandou uma mensagem dizendo que estava solteiro, havia se separado e precisava
mudar de vida. Eu pensei que fosse soltar fogos de tanta alegria quando eu
ensaiava o enredo dessa história na minha fantasia. O fato é que quando ele
disse isso, eu fiquei verdadeiramente preocupada. Não porque ele estava por aí
para pegar Deus e o mundo, mas sim porque eu sabia que eu ia ter problema.
Uns dias se passaram, vinte e
“quatrei”, ele me mandou mensagem dizendo que eu merecia o mundo, que tudo de
melhor era pouco para a mulher que eu era. Ele me enalteceu, como fazia antes.
Eu achei fofo e me perguntei, será que ele quer algo mais? Vamos ver o que dá.
De repente éramos amigos de novo e
eu estava lá com ele, nós dois revivendo todos flashs de uma vida passada e até
então enterrada. Foi tão gostoso e tão nostálgico que eu senti saudade do tempo
em que ficamos juntos.
Vivemos um romance de verão, em
plena primavera naquele ano. E eu guardei como o maior segredo da minha vida.
Mas como todo romance de verão,
esse nosso reencontro também precisava chegar ao fim. E como no começo da nossa
história, isso aconteceu quando ele já não precisava mais de mim. Ele já estava
livre dos vícios, a roupa dele já era cheirosa de novo e ele não tinha mais aquele
gosto de cigarro e uísque barato. Me esforcei para vê-lo se reerguer. E ele se
reergueu.
Ele mudou de cidade e de vida. E eu
estava disposta a mudar a minha também para estar perto dele. Mas me dei conta,
aos 45 do segundo tempo que não havia espaço ali para mim e que eu havia
confundido tudo. Planejei uma viagem inteira para que a gente se reencontrasse
de verdade e finalmente como nós dois esperamos durante toda a primavera, havíamos
conversado sobre o quanto queríamos nos ter depois de todas essas experiências
separados e ele teve uma participação ativa em todo o planejamento... Dias
antes do tão esperado momento ele me disse que não poderia, pois havia algo
muito importante para fazer.
Eu respondi apenas um ok.
E num ok, me dei conta de que era
loucura querer reviver esse amor de novo. Eu estava dando espaço pra me
machucar mais uma vez, como a Laís em 2015. Mas dessa vez, não poderia deixar acontecer. Também
pudera, já nem tinha como... eu não era a mesma. Talvez em outro tempo, eu
tentasse fazer ele mudar de ideia, talvez fizesse o impossível para tentar
trazê-lo até mim.
Mas o ok, encerrou essa história
doida que eu criei achando que pudesse dar certo de novo.
Eu sei que ele sempre vai ser o meu
primeiro amor e como todo primeiro amor, ele voltou pra me mostrar que não há
como reviver grandes histórias de amor assim. É o tipo de coisa, que a gente só
vive uma vez com alguém e depois há muito mais.
Dessa vez, eu senti que aquele
adeus era pra sempre. Como não foi aos 19.
Como não foi no dia que ele veio me deixar no trabalho e no portão ele disse que não
me amava mais, que talvez a gente um dia se reencontrasse por aí, mas que naquele
momento não estávamos mais dando certo. Quando ele se despediu ele deu
esperanças de retornar um dia. E retornou! Mas eu... não dei esperanças de um
retorno desta vez.
Eu disse pra ele muitas vezes lá
nosso passado, que se um dia eu decidisse que não o querer mais seria uma decisão que
eu não voltaria atrás.
E pro azar dele, hoje sou eu que
não quero.


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