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Uma carta ao meu eu do passado.




O que você diria para sua versão mais nova?
Será que o seu eu do passado teria orgulho de quem você se tornou?
Me jogaram essas perguntas há algumas semanas atrás e hoje novamente, e eu simplesmente não soube responder.
Mas isso não me impediu de pensar muito a respeito.
Quando eu olho para algumas fotos minhas, um pouco mais nova, um pouco mais imatura e inconsequente, eu me lembro muito da garota emocionalmente dependente, que se submetia a relacionamentos extremamente abusivos por medo de ficar sozinha, que acreditava que o amor era eterno, que fazia planos para uma vida e que se esqueceu completamente de viver o momento. Sempre ansiosa e preocupada com que viria pela frente.
Me lembro de uma garota sentimental, que chorava e amava demais as pessoas, que era intensa, que era puro fervor o tempo todo. Me lembro daquela menina que jurava a eternidade e levava muito a sério, sem se dar conta que o pra sempre, sempre acaba.
Uma menina, que tinha monstros íntimos horríveis na mente e no coração, porque acreditava em todas as coisas ruins que as pessoas falavam a seu respeito. E que teve uma distorção de imagem de si mesma.
Uma menina que adorava ser vítima, para ser olhada, que mendigava carinho, atenção e olhar.
Se eu pudesse dizer para ela, tudo que sei hoje, a vida dela teria sido menos difícil, menos dolorida até. Ela saberia que nada dura para sempre, mas que dura o tempo suficiente para não ser esquecido, saberia que as promessas assim como as regras, foram feitas para serem quebradas.
Ela saberia que ser sozinha, não é tão ruim assim. E que apesar de não gostar da imagem de si, ela seria uma mulher que se amaria por estar sempre consigo quando toda a merda explodisse. Ela saberia que os amigos para sempre dela, se resumiram a 1 ou 2 que ficaram dessa época.
Ah... Ela saberia que o amor da vida dela, nem era tudo isso mesmo. E que ela ia conseguir segurar muito bem a onda sozinha quando tivesse a maior decepção da vida dela e que sozinha sim, ela ia superar. Ela saberia, que não precisava de ninguém para curar o coração.
Ela ia descobrir que tudo que ela precisava era amadurecer seus comportamentos, para receber o que ela quis a vida inteira e isso ia ser um processo natural, não ia precisar forçar.
Ela saberia que ia sentir saudades imensas daquela fase que ela achava a pior.
E ela saberia que ia dar muita risada de episódios bobos que a fizeram sofrer.
Se eu pudesse conversar com a Laís do passado, eu diria a ela para não ter pressa e nem medo, tudo sairia de acordo com os planos e até melhor do que ela havia imaginado.
Mas diria a ela que no mundo real, aos 18 ela não teria um carro, nem uma casa, muito menos estabilidade financeira, porém ela ia conseguir viver muito bem sem tudo isso.
Diria a ela também, para ter cuidado com quem chamava de família e a mostraria que família é quem vivia com ela dentro de casa e que esses sim, queriam muito o bem dela.
Diria para a Laís que a vontade de ter um coração forte como uma rocha ia se realizar, mas que vez ou outra, ela iria se permitir ser de gelo e derreter.
Se eu tivesse a oportunidade, diria que ela não precisaria se humilhar para ter amor. Quem fosse oferecer isso, não a faria mendigar primeiro.
Eu a ensinaria que de todos os amores, o que vale a pena é o próprio, e afirmaria que se ela entendesse bem isso, ela ia ser muito mais feliz.
Ah, se eu pudesse falar com a Laís... Tanta coisa teria sido diferente para ela. Ela teria morrido de amor e continuaria vivendo. Ela teria sorrido mais vezes. Teria dado valor ao que realmente importante: ela. Teria errado menos e acertado mais. Ela teria sido mais ela e menos o que esperavam dela.
Com certeza ela teria se importando menos com problemas pequenos e teria visto que a vida não era tão ruim assim. Que as decepções fazem parte de todo o amadurecimento: pessoal e emocional. E que todas as vezes que isso fosse acontecer, doeriam como se fosse a primeira vez, mas que com tempo ela entenderia as razões pelas quais algumas coisas foram assim.
Ela entenderia que cada puxão de orelha, cada tombo, seriam para ela aprender a se reerguer ainda mais forte. Ela teria entendido que a vida é muito mais do que as fases ruins que passou e eu mostraria para ela que a inocência que ela tinha, era o que ela tinha de melhor dentro do coração... A ponto de um dia... Ela sentir saudade disso!
Mas o que eu diria para Laís do passado, todos os dias se eu pudesse é para que ela aproveitasse cada pequeno segundo daquela vidinha, medíocre e chata, que ela tanto dizia... Porque um dia, ela ia sentir falta de não ter o que fazer, de não ter as responsabilidades, ela sentiria saudades de ligar para as amigas na tardes chuvosas para conversarem sobre nada, ou para tomar um sorvete de R$2,00, enquanto continuassem falando sobre nada, pois infelizmente esses momentos singelos e simples, não voltariam mais... O que voltaria somente era a vontade de voltar neste tempo.

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