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Sobre a maturidade.







Quando você amadurece algumas coisas mudam na sua vida. Até porque você é a metamorfose principal.
Mas quando você amadurece você acaba aprendendo que a solidão não é uma inimiga, muito pelo contrário, você precisará dela de tempos em tempos, por uma questão de precisar se reorganizar emocionalmente, financeiramente, psicologicamente...
Quando você amadurece seus sonhos mudam. Deixam a categoria de fantasia e passam a ter características realistas. É real! Seus sonhos podem acontecer e muitas vezes é você o diferencial, eles precisam de você para serem realizados.
Quando você amadurece suas amizades mudam e embora seja triste o distanciamento, você aceita facilmente os fatos, porque tudo bem não estarem vivendo a mesma fase juntos. Você deixa de ter amigos que frequentam baladas, até porque você se sente mal nelas em boa parte das vezes. Você começa a ficar mais próxima dos amigos que frequentam restaurantes, uma vez que inclusive nesses ambientes você permanece sentada. Quando você amadurece até os drinks que você bebe mudam. Você substitui facilmente os drinks com vodka por uma taça de vinho (ou água) e não pensa duas vezes em fazer isso.
Quando você amadurece você tem horário para chegar em casa. Não por conta do seu namorado ou marido, mas porque seu corpo grita para estar na cama às 23h. E independente do horário que você se deitar, às 7h você estará de pé.
Quando você amadurece ficar em casa aos domingos não é um tédio. Ao contrário, é confortável, pois você sabe que vai estar descansada para segunda-feira e para dar inicio a sua rotina de novo (e que se exploda você se não gostar de rotina).
Quando você amadurece não consegue mais ir ao cinema para dar uns amassos. Aliás, não é qualquer pessoa que te interessa mais, então é menor ainda a possibilidade de você se relacionar com alguém.
Quando você amadurece você não faz mais questão de ficar na vida de alguém se não te cabe nela. Você sabe exatamente a hora de sair e ainda sai à francesa, sem criar alardes.
Quando você amadurece você passa a ser mais racional e nem tudo mexe com você como antes. Não existe mais o choro coletivo das amigas quando precisam separar por alguns quilômetros, dias, meses ou anos. Não é mais todo filme que te faz chorar oceanos. Geralmente quando isso acontece, é somente a TPM batendo a porta.
Quando você amadurece você dá risada das bobagens que você fazia e gostava quando era mais jovem, você zomba da pessoa ridícula que você era. Até dos choros pelos garotos que você achou mais amar durante toda sua vida você dá risada. E não importa o quanto tenham machucado seu coração, se torna engraçado pensar como foi dramático o que você sentiu.
Quando você amadurece, seu gosto musical muda. Você deixa de gostar daquelas musicas sem conteúdo. Você nem leva mais em consideração a melodia e faz uma análise aprofundada da letra. (Já fizeram a experiência de ouvir as músicas que curtiam quando vocês tinham 15 anos? Se não fizeram, façam. Garanto que vai render boas risadas).
E quando você amadurece você fica mais analítica. E essa é uma das únicas coisas que faz você se sentir saudades de ser imatura.
Você deixa de se jogar para a vida. Você deixa de viver coisas boas e bobas, porque analisa a fundo todos as possibilidades de: dar certo ou dar errado e pensa em todas as consequências. Fica difícil se permitir ao desconhecido, de fazer coisas que quando éramos mais jovens, não pensaríamos duas vezes em fazer.
Você deixa de sentir com frequência aquele frio na barriga, aquele de quando você mente para os pais para aprontar e te dá aquele medo deles descobrirem.
E essa é a parte mais triste, quando amadurecemos às vezes temos medo de viver algumas experiências porque experienciamos demais. Não nos lembramos que cada situação é uma situação, embora sejam parecidas jamais serão iguais.
Quando amadurecemos ficamos intoleráveis a frustrações, e por isso criamos uma barreira para não entrar em contato com essa possibilidade.
Quando amadurecemos fazemos uma lista de prós e contras e levamos isso muito a sério, como se isso fosse definir a nossa vida.
(e muitas vezes acabam definindo mesmo).


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