Estou há dias planejando essa postagem, e foi muito difícil encontrar
as palavras que finalmente definissem o que tenho refletido ultimamente.
É meio mórbido e ao mesmo tempo estranho, como de repente as
coisas mudam de lugar na mesma intensidade e rapidez com que começam. Hoje eu
estive pensando como de repente, para as pessoas a descartabilidade se tornou
uma coisa normal.
E eu mera mortal, achava que ainda sim, haveriam pessoas que
vissem tudo isso de um outro ponto de vista, e talvez até de outra forma se
comportariam.
Mas o ser humano é e sempre será uma eterna caixinha de surpresas.
Por esta razão, sei que não devemos jamais depositar nossas expectativas. Mas eu
e minha bela mania de esperar sempre algo bom de algo ou de alguém.
Eu sei tão bem quanto ninguém que é fácil gostar de alguém enquanto o papo for leve,
enquanto estiver no bar tomando uma boa e velha cerveja. Mas é difícil gostar
de alguém quando começamos a entrar em contato com os nossos sentimentos mais
profundos, obscuros e fortes.
E foi por isso que decidi escrever esse texto. Tenho visto
muitas pessoas reclamarem de relacionamentos, dentro e fora do consultório, da
vida do mundo. Relacionamentos estão se tornando cada vez mais descartáveis e
superficiais. Cada erro, uma punição. Cada palavra mal dita, o ato de ignorar. Não
acredito que hoje um relacionamento dure os 50 anos como o dos meus avós dura
até hoje. E afirmo, pois ouvi uma garotinha de 12 anos dizer que o menininho
queria “apenas usa-la”. Cada vez mais, a descartabilidade começa mais cedo. A primeira
vez que senti a sensação acho que devia ter pelo menos 15. E já achava cedo,
mas ao ouvir essa garota, percebi que o mundo está cada vez mais escasso de
amor, respeito e cuidado.
E isso me deixa bastante chateada. Porque sempre acreditei
na filosofia de que ninguém nasceu para
ser feliz sozinho. Que toda panela tem sua tampa. Mas todos os dias
enquanto eu oro (porque sim, eu acredito em um Ser superior e converso muito
com ele) percebo que o mundo está caótico e que ser sozinho é a melhor escolha,
a melhor saída.
As mulheres perderam seus valores, os homens também. Do
mesmo jeito que existem homens ordinários, existem as mulheres ordinárias. Porque
cada vez mais deixamos as dores do mundo transformar-nos em monstros reais. Frios.
Sem compaixão. Sem cuidado. Sem olhos calorosos. E assim, tudo vai se tornando
tão físico, tão egoísta. Até que ponto? Por que? Não existe mais a compreensão.
Se você se apaixona, a pessoa dá com os dois pés na sua bunda. Se ela se
apaixona, busca motivos para se afastar de você. Se os dois se apaixonam,
brigada de machadadas. Você enfia a machado no peito dele e vice versa, porque
se apaixonar por alguém é como ferir sua integridade. Ser de uma pessoa só é
ser cafona. Porque no final, as pessoas buscam quantidade e não a qualidade. E quando
temos qualidades a oferecer, quantidade é o que menos buscamos.
E estamos cada vez mais nesse ciclo vicioso e odioso. Sendo plenamente
egoístas para com os outros. Agora pergunto, a troco de que?
Eu realmente entendo que todas as pessoas que se casam, quem
vivem com alguém seja da maneira que for, dizem o tempo todo apertando na mesma
tecla que não faria isso novamente. Mas as pessoas que optaram muitas vezes em
viver sozinhas sofrem. E quando eu digo sozinhas, são aquelas que o mundo
machucou e que as tornou pessoas amargas, porque no fim, talvez tenham se
apaixonado pela pessoa errada, ou pela pessoa certa no momento errado.
Mas essas pessoas não aprenderam o melhor da vida. Não viram
o mundo com os olhos de uma criança. E hoje em dia com a minha priminha,
consigo compreender que no mundo das crianças o mais simples, se torna no final
o mais significativo. Nós perdemos esse dom de ver o mundo com olhos bons, com
novas oportunidades de fazer de um jeito diferente. Só conseguimos focar no que
não é bom, no que não vai me fazer bem, não vai me agradar. E é com isso, que
cheguei a conclusão, que se for pra ser infeliz com alguém que só sabe se ver,
eu opto por ser feliz sozinha. É exatamente sozinha. Não preciso colecionar
corpos, bocas, diversidades e afins. O fato de deitar a cabeça no travesseiro e
dormir em paz sabendo que eu nunca usei ninguém porque era cômodo para mim, me
faz entender que tudo que eu aprendi com a vida e com a minha família foi bem
ensinado. Não sei ser pela metade, ou sou tudo, ou sou nada. Aprenda a lidar
que essa é a minha intensidade. Se te amo não te odeio e se te odeio não te
amo, ao contrario do que Osho diz, o meu ódio não anda lado a lado com o amor. Ou
sou de alguém ou não sou de ninguém. Não sou de meias palavras. Não sou de meio
coração. E muitas vezes, preciso engolir os não meios para lembrar que valho
muito por inteiro.
Não por nada. Mas por saber amar até os que não merecem. Até
os esquecidos. As causas perdidas, estas
causas tão perdidas que estão na minha pele hoje. Mas que infelizmente raros
mortais (se é que existem) merecem receber de mim.
Não sou uma pessoa que se gaba, muito pelo contrario me
menosprezo constantemente. Não sou a mais linda. Não sou a mais “gostosa” como as pessoas tratam no modo
figurativo carnívoro. Longe e muito longe disso. Mas sei que no momento, só quem merece a
melhor parte de mim hoje sou eu. Existem muitas pessoas querendo o amor, mas
poucas pessoas sabendo amar.


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