Até que eu cresci...
Os amigos eu conto nos dedos de uma mão, esses são os
verdadeiros e outros eu ainda não sei. Desacreditei um pouco no “felizes pra
sempre” e passei a acreditar no “felizes enquanto dure”, os contos de fada
ficaram juntos com aquele tempo lá atrás.
Depois de algum tempo descobri a fraude da Fada do dente, do
Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa. E hoje faço parte dessa máfia. Descobri que
era a minha mãe quem colocava o dinheiro debaixo do travesseiro e não a
fadinha, assim como era ela quem colocava os presentes debaixo da árvore de
natal e quem deixa os ovos de páscoa em cima da mesa. Fiquei desapontada, mas
depois eu superei. O homem do saco e o bicho papão foram esquecidos com o tempo
e a escuridão se tornou uma das minhas melhores amigas, pois é nela que posso
chorar escondida sem que ninguém possa ver. Minha mãe não precisa mais cuidar
de mim... A boneca dela já é quase uma mulher e consegue se cuidar sozinha. O
secador tomou conta das presilhas. Meus vestidos foram substituídos por jeans
colados, vestidos menores e shorts curtos. Os sapatinhos foram deixados também,
foram substituídos pelos saltos dez.
As pessoas que eu amava, algumas se foram e não voltaram
mais. Algumas eu nem conhecia e depois aprendi a amar com o tempo. Agora tenho
que cumprir as minhas responsabilidades. E a hora do banho é o único momento
que eu consigo pensar na minha vida sozinha, é onde eu paro para decidir a vida.
O tempo passou e as coisas mudaram. Às vezes dá saudade
daquele tempo, mas foi o tempo que se foi e as lembranças boas ficaram. O futuro
agora é mais importante para mim. O passado trás sorrisos e lágrimas, mas o
futuro é um grande enigma. Afinal onde é que a vida vai me levar? Eu jamais
imaginei estar onde estou agora e nem imagino onde vou estar amanhã.
O que eu quero é ser feliz, porque no fundo é o que eu
quero. Ser feliz, sempre mesmo quando a vida não estiver me ajudando. Eu vou ser
feliz por simplesmente estar tendo o direito disso.. O direito de ver como essa
vida é bela.

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