Quando
falam a palavra irmão logicamente eu pensarei em você. Porque era o que nós
dois éramos. Irmãos.
Eu me
lembro de como era bom ter um irmão de verdade. Juro que eu gostava daquilo,
afinal eu não tive um irmão mais velho. Mas eu tinha você e era legal. Era legal
a forma como nós nos tratávamos. Não parecíamos primos de fato, parecíamos irmãos
mesmo.
Jogávamos futebol,
vídeo-game, andávamos de skate, fazíamos tudo daquele jeito bem moleque e eu
gostava daquilo. Crescemos juntos, então era mais que normal que essa irmandade
crescesse junto conosco. Estávamos sempre juntos nos sorrisos, nas lágrimas,
nas tardes chuvosas de verão, no inverno friorento demais, nos aniversários,
churrascos, nos almoços de domingo e em tudo mais.
Até que um dia você se foi... Foi como todo
mundo diz para o mundo dos anjos. E bem, eu fiquei aqui. Às vezes sorrindo ao lembrar dos sufocos que passamos, das gargalhadas que demos até a
barriga doer e as vezes chorando, porque tudo acabou tão rápido e eu nem
percebi . Eu não pude fazer nada.
Sei lá
quantas vezes eu procurei alguém que pudesse substituir você na minha vida. Chamei
quem não deveria de irmão, quando eu só queria tapar os buracos que tinha no
peito que eram preenchidos pela tua ausência. Eu queria que alguém fosse para
mim o que você era de fato, alguém que cuidasse de mim, me fizesse rolar de
tanto rir, chorar de emoção, alguém que me aconselhasse e não me julgasse. Cansei
de tentar achar um substituto para você. Um dia eu percebi que há algumas
coisas na vida, que não podem ser substituídas. O carinho, a irmandade, o
companheirismo que tínhamos nada e nem ninguém poderia substituir. Você continua
sendo o meu irmão mais velho que eu não tive. Sou feliz em olhar para os nossos
momentos sabe?
Às vezes,
eu me pergunto como seria se você estivesse aqui pra me abraçar naquele abraço
de urso que você me dava quando as coisas não estavam bem, se seus planos
seriam outros ou se você teria decidido fazer faculdade e lá teria conhecido a
garota merecedora dos seus carinhos e do teu sentimento. Imagino como seria
engraçado eu como a irmã mais nova fazendo um longo interrogatório, só para me
certificar que ela não iria te fazer sofrer. Da mesma forma que você faria
isso... Isso é bobo, mas eu penso tanto na hipótese do “e se..” porque eu
queria tanto continuar tendo o meu verdadeiro irmão aqui, do meu lado. Pra me
abraçar ou para me dar uma bronca. Eu gostava da tua companhia e de como você se
preocupava comigo de uma forma que até hoje ninguém se preocupa.
Era isso
que a gente era. Primos, amigos e irmãos. Tenho orgulho do que vivemos, sou
feliz por ter tido a oportunidade de ter vivido ao teu lado e ter convivido com
você por 14 lindos anos. Contarei aos meus filhos e netos como era a nossa
historia. E vou encher a boca para falar dela. Principalmente para contar o
episodio de você caindo e quebrando o braço e eu debochando de você, depois
chorando junto contigo. Eu já era bipolar desde pequena como você dizia. Será que de algum lugar do universo você pode
me ouvir?
Será que
sente saudades também? Eu espero que sinta, pois eu ficaria muito triste se você
me esquecesse, porque mesmo depois de longos um ano e seis meses separados definitivamente, as nossas
histórias continuam intactas na minha memória, como se tudo que a gente viveu
tivesse acontecido há pouco tempo. Às
vezes eu te sinto por perto, quando as noites são longas e frias
principalmente. Quando estou triste, pensativa e descrente, sinto como se no
silêncio você estivesse ali, como se estivesse prestes a me abraçar e dizer que
tudo vai ficar bem. Mesmo que nós tenhamos nos separado, tenho certeza de que
algum modo as nossas vidas ainda continuam ligadas por algum tipo de laço inquebrável e inexplicável.
Gosto de pensar que não acabou por aqui, que algum dia, em algum lugar eu vou
te ver chegar e irei te abraçar e dizer que não aguentava mais sentir tanta
saudade e num breve sorriso você me dirá a mesma coisa. Era exatamente assim
que fazíamos quando um ia viajar e outro ficava. Algum dia vou te encontrar,
prometo.
Com todo
amor imaginável e inimaginável,
Da sua irmã
mais nova que sente saudades de você.
Para: Gabriel Alves C. Junior.

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