Heart Chat Bubble

It's over ...

Era doloroso encaixotar aquelas coisas que ficavam naquele quarto desde sempre. Fotografias, livros, CDs, roupas e sapatos, era tanta coisa ali... Eu estava fazendo aquilo com meu coração apertado, eu estava dando adeus a pequenos momentos felizes que eu tive ali. Achei uma foto nossa naquela pequena bagunça, sorri e  chorei, logo em seguida a coloquei dentro de uma caixa que foi lacrada com fita adesiva e colocada junto ao outro monte de caixas que já faziam uma pilha enorme. Não sei onde arranjei coragem para fazer aquilo, mas tudo aconteceu rapidamente de uma forma natural.
Abri a gaveta de camisetas. Elas estavam separadas por cores. Joguei uma a uma em cima da cama e coloquei a gaveta de volta no lugar. Desdobrei todas e as dobrei novamente para que coubesse tudo na caixa. Escolhi com quais iria ficar e o resto coloquei lá. Depois abri o armário dos sapatos e par por par, aos poucos fui colocando no lugar que eles iriam ficar até chegar ao destino.
Olhava para a cama, para o chão... Quantas vezes não dormi ali? Um filme passava na minha cabeça e eu já começava a sentir saudades daquele lugar. Chorei sozinha até levantar da cama e notar que tinha muita coisa a ser feita. Puxei uma gaveta que estava cheia de CDs do Michael Bolton, Guns’n’roses, Brian Adams, Michael Jackson... Quantas vezes não ouvi aquelas CDs enquanto os pensamentos fluíam? Novamente coloquei todos os CDs juntos numa pilha e num canto de uma caixa os deixei. Depois vieram os DVDs. Os filmes que mais assisti quando eu estava sofrendo fizeram com que eu me emocionasse e um por um arrumei na caixa. Debaixo da cama havia uma caixinha numa espécie de baú, onde havia várias coisas dentro. Haviam textos incompletos, mas que naquelas pouquinhas linhas eram lindos. Fotos de momentos especiais. Um vidro de perfume que estava quase acabando. Cartas que foram recebidas de alguém especial e cartas que foram escritas e nunca chegaram. Havia também um violão e um teclado lá. Gritei para que alguém me trouxesse uma caixa maior e rapidamente fui atendida, joguei tudo lá para não chorar mais. Depois peguei plásticos bolhas e assim enrolei as coisas frágeis, como o notebook,a câmera e o telefone e coloquei numa caixa e escrevi bem grande “frágil”. Deixei o abajur  separado. Depois abri a porta do armário e puxei todos os livros do ensino fundamental e médio, livros de literatura e cadernos. Separei cuidadosamente os cadernos e os livros encaixotados irão para uma biblioteca do centro da cidade, poderá ajudar outras pessoas assim como já me ajudou.
Numa parte mais em cima estavam malas e mochilas. Puxei todas para baixo e saí para perguntar se alguém iria querer ficar com aquelas coisas, ninguém quis. Então assim deixei todas elas do lado de fora do quarto para doação.
Depois foi a vez do mural de fotos. Parte da parede eram fotos de almoços de domingo, da família, dos amigos, do amor, dos aniversários... Nunca pensei que fazer uma mudança fosse tão difícil. Olhei foto por foto, meu coração foi se apertando e teve uma hora que eu achei que ele fosse parar. Aos poucos fui sentindo saudades dos momentos que compartilhamos. Ao ver as fotos dos almoços de domingo, fui lembrando de como eles foram. Das viagens, lembrei dos cartões que recebi. Dos amigos, lembrei dos poucos que conheci. E da família, lembrei do que ela era e do que ela se tornou agora. Do amor lembrei das lágrimas e dos conselhos. Ao ver um foto minha fazendo caras e bocas, lembrei... Da saudade.
Depois de ter juntado elas todas numa caixinha de madeira, tirei todos os posters da parede e guardei junto com os CDs. Despluguei o DVD e coloquei-o dentro da caixa enrolado no plástico bolha, assim como fiz com um sonzinho e rádio-relógio. A TV foi doada para uma família carente recentemente e assim terminei de fazer aquele trabalho de tirar todas as coisas do lugar e guardá-las para serem enviadas para o Sul. Pedi ajuda para descer as caixas que estavam pesadas para a garagem até que o caminhão da mudança venha buscá-las. Eu vi alguém desmontar a cama e os móveis, e de repente tudo estava vazio, tendo apenas as paredes, o chão e o teto. Pedi um tempo sozinha e agarrada ao Sr. Murphy (o urso que você me deu) eu chorei até que minha cabeça não aguentasse mais. A história acabou. Percebi isso, acabou para sempre. Peguei minhas coisas, bati a porta do quarto com meu coração despedaçado, mas não olhei para trás. Fui até o jardim e fiquei lá vendo as borboletas indo e vindo. Fui para a rua e de lá olhei aquele lugar. Parte da minha história também foi escrita ali também. Agora só restarão as lembranças e eu farei delas um lugar seguro.
É isso mesmo... Acabou para sempre.

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