É Zé...
Todo mundo dizia.
A gente não tinha nada a ver mesmo, mas mesmo assim eu insisti. Porque eu acreditava em tudo isso que a gente bolou. Como aquele baseado que a gente sempre fumava no quartinho dos fundos da sua casa ou naquela rua isolada lá perto de casa.
Mas sabe Zé, doeu demais cair na realidade.
Quando na verdade Zé, eu fantasiei o amor, num abuso. Nem eu entendia Zé o quão abusivo era essa relação, mas eu aceitava. Eu achava que você ia me amar se eu fizesse tudo que você quisesse, como você quisesse... eu sempre cedia. E eu achava que você nunca ia procurar outra pessoa. E foi aí Zé que um dia eu tava andando e dei de cara com você na mesa de um bar, com uma mulher. Você fazia carinho no rosto e nas mãos dela, de um jeito que você nunca fez comigo.
Eu tive uma vontade avassaladora de partir pra cima de você naquela hora e te perguntar o que foi que eu fiz, quando na verdade era eu quem te satisfazia no seu lado mais sombrio. Se era eu que te cedia quando você me ganhava na força.
Me diz Zé, você também força ela?
Me diz Zé, você também demonstra seu amor batendo nela?
Me diz Zé, não me engana. Me diga Zé, mas seja sincero comigo. Porque eu acho que não sei quando você está mentindo. Não me olha com essa cara. Não Zé, não diz que é pra mim que você volta. Não me olha assim, não me faça me perder nessa sua imensidão azul. Não me ilude mais não Zé.
Não me deixa com mais marcas.
Não mente pra mim.
O que ela te deu que eu não te dei?
Não Zé, não encosta em mim. Por favor, não me toca. Não me força de novo. Não. Não me dá um beijo forçado não. Não diz que só você é que vai cuidar de mim não. Não Zé, por favor. Não continua enganando nós dois.
Continua não dizendo que me ama. Por favor.
Eu te amo.
Mas não diz "eu também" só porque eu tô caindo na real.
Não me olha assim não Zé...
A gente sempre se deu tão bem né? Mas hoje eu quero uma coisa diferente. Você me entende Zé? Eu quero carinho.
Não me promete o que você não sabe se é capaz de oferecer. Não diz não que as coisas vão mudar. Não diz que agora você vai me levar para jantar com a sua família. Não diz que agora você vai querer andar de mãos dadas comigo, que vai me assumir pros amigos.
Não mente assim não Zé.
Meu coração aperta e quase acredita.
Mas não Zé. Passei os últimos sete anos acreditando nisso. A gente sabe que não vai mudar.
Você sabe que quando se trata de mim, você pensa e repensa, se me quer ou não. Eu sempre soube das outras Zé, mas sempre soube que era pra mim que você voltava. Por que? Porquê eu aceitei seu lado negro e até gostei no começo, porque gostava de ti por completo?
Para com isso Zé, eu te dando tudo e você me dando esmola? Pra que?
Você foi meu príncipe Zé. Quando fecho os olhos, ainda me recordo dos seus imensos azuis me devorando, me despindo. A gente era tão criança, mas ai Zé... era tão louco. Era tão divertido. A gente matando aula pra ficar junto no gramado daquele parque.
A gente cresceu pra caramba Zé. Mas chegamos aqui. E eu sei que você não é mais aquele menino que me apaixonei instantaneamente há 7 anos atrás. Você ainda é atraente Zé, talvez por isso tenha tantas na sua cama e tenha me tido na sua mão por tanto tempo. Mas não dá mais pra mim Zé.
E sei que se você me jurar, eu vou ficar aqui.
Então, por favor, não diz nada.
Por favor só me escuta. Eu tô cansada Zé. Esse lance de provar o seu amor me deixando marcas no corpo, Zé desculpa, isso não é amor. Sempre fiz tudo que você queria, por que tem que ser assim? Você ama a todas elas assim também?
Zé você mostrou desejo rasgando a minha roupa e disse que eu era sua e de mais ninguém. Não Zé. Não é assim. Antes de ser sua, eu sou minha sabia? Eu só me emprestava pra você. Mas depois de um tempo você foi possuindo, nem sabia se eu queria. Zé... Você me machucava tanto, enfiando um punhal dentro de mim, que rasgava minha alma.
Por favor Zé, não chora.
Suas lágrimas não vão resolver.
Zé, não pega na sua arma não. Por favor, não fala que vai me obrigar a ficar. Por favor, deixa eu pegar minhas coisas e ir embora...
Zé, eu te amo. Mas preciso partir e viver sem você. Por favor, me deixe ir.
Te juro que te darei um último beijo.
Minha mala está ali, eu estou indo. Vai ficar tudo bem. Você vai ver. Eu vou sorrir de novo. Você vai melhorar também. Eu só não vou estar aqui mais Zé, pra te aplaudir nos pequenos ganhos.
Mas continuarei torcendo por você.
Eu vou achar Zé, um dia quem sabe, alguém que me ofereça um pouco mais de carinho.
Tudo bem, não vai ser agora.
Ainda preciso me recuperar de você. Superar você.
Não pergunta o que você pode fazer pra me fazer mudar de ideia.
Zé, eu tô decidida.
Eu vou embora.
Não suporto lembrar do que eu recebia de você e lembrar de você fazendo carinho nela, como se você fosse realmente assim.
Desculpa Zé não posso mais.
Porque, por mais que eu te ame.
Hoje eu me amo em primeiro lugar.
Cuida bem das próximas garotas que chegarem.
Não fala as besteiras que falava pra mim não.
Por favor, não toque nelas quando elas não quiserem. Não as marque pra você se sentir orgulhoso. Você pode se ferrar com isso Zé.
E um último favor Zé... Me exclua da sua rede de contatos. Rasgue as fotos que deixamos distribuídas por aí nos quadros.. Dá um reset na sua memória... Esquece o que a gente viveu. Vai ser melhor assim. Eu preciso começar a viver Zé e aqui com você não dá.
Você pode abrir a porta pra mim? A mala está pesada, mas quero sair carregando sozinha pra sair da sua vida da mesma forma que eu entrei: de cabeça erguida, e com o resto de dignidade que me sobrou.
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