Heart Chat Bubble

Porque todo mundo merece ter algo mais.


Depois de ficar muito tempo fechada, depois sofrer coisas que eu particularmente não precisava, eu finalmente fechei um ciclo e meu coração finalmente se restaurou.  O que eu posso dizer, é que consegui sozinha. Foi um processo difícil, pensamentos que me deixavam tão para baixo, reflexões e de viver e reviver com todos os meus inimigos íntimos. Mas eu consegui restaurar até o último caco meu coração.
No meio desse processo, conheci muitas pessoas. Muitas. Contudo, percebo que foram pessoas que vieram para me causar ainda mais impactos, só eu que não fui capaz de perceber na época. Pessoas selecionadas a dedo podre, para repetir o mesmo velho processo de cão e gato. Em que eu, certamente, precisava ficar correndo atrás para obter algum tipo de ganho.
Os ganhos que obtive: nenhum.
Só procrastinaram ainda mais algo que eu precisava e ansiava desesperadamente: a cura e o perdão.
Mas hoje, restaurada e novamente cheia de vida, algo que me pergunto incansavelmente é: será que eu mereço ter alguém na minha vida de novo? Quero dizer, sinto preguiça, sinto medo, sinto enjoo de pensar em viver tudo isso de novo. Quando eu falo que sinto preguiça, é que no fundo, lá no fundo, apesar de querer algo novo, eu não sinto o menor interesse em gastar minha energia em investidas, até porque os homens não evoluíram o suficiente para fazer diferente, então eu sempre acabo sabendo onde vai dar. E a gente vai ficar naquele jogo melodramático do orgulho e ele não vai me procurar, e quando me procurar vou demorar dois dias pra responder e por ter demorado dois dias para responde-lo, ele vai demorar uma semana para aparecer novamente e por aí vamos seguindo no jogo do “perde quem se apegar”. Sério, me cansa só de pensar. E quando eu falo do meu medo é que eu demorei tanto, mas tanto para conseguir superar uma coisa tão fútil, demorei tanto para restaurar meu coração que penso: como posso entregar novamente para alguém que pode fazer um mau uso daquilo mais precioso que tenho hoje? Pior que isso, alguém que faça isso de novo.
E ai eu vou vendo minhas amigas: umas namorando, outras casando, outras tendo filhos e outras tendo mais filhos.
Enquanto eu, não sei se quero casar um dia ou se prefiro comprar uma bicicleta. Porque não acredito mais como antes nesse amor todo, as coisas hoje são tão diferentes.
Ao mesmo tempo que eu não sei se quero viver tudo isso de novo, bate aquele desespero: “e se eu ficar só?”
E foi nesse desespero de “ficar só” que eu acabei de sucumbindo a situações que eu não precisava me prestar a um papel tão patético. Fiquei mendigando carinho para pessoas que só tinham ilusão para me oferecer. Pessoas que me maltratavam, que pisavam em mim e eu com esse meu dom de só conseguir “enxergar” o melhor dos outros, permanecia lá, firme e forte como uma rocha para que pudessem ver que apesar de tudo, eu permanecia ali. Mas por dentro... Ah por dentro, meu coração se derretia em mil fantasias, as piores que podem imaginar. Não me achava suficientemente boa para ninguém. Me rebaixava e ainda tinha a capacidade de dizer que a pessoa não me merecia. Quando bem no fundo, quem não merecia era eu.
E ai quando apareceu uma pessoa que me tratava bem. Nossa, até me assustei.
Sai correndo do infeliz, porque achava que ele ia me devorar, igual o lobo mau daquela história da Chapeuzinho Vermelho lembra? 
Qual é, eu sei que não sou a primeira e nem a ultima do planeta a passar por isso não é?!
Foi então que eu comecei a pensar, a que ponto chegamos para ter medo de quem nos trata bem?
Por que não merecemos alguém que nos trate bem?
Me desculpa, mas não venha dizer que é porque a gente gosta de ser mau tratada não. Isso aí é coisa que acabaram colocando na sua cabeça. E tampouco parece que gostamos disso.
É que no fundo, a mulher quando ela está carente, ela prefere se segurar em algo que ela tem certeza que, por mais que faça mal pra ela, vai estar lá por ela... Ao invés de dar a cara pro mundo e esperar o resultado.
A gente é meio cretina às vezes sim. A gente consegue ter preguiça de procurar coisas melhores no mundo. E o nome disso é comodidade, não vai achando que é amor não tá?
Ao mesmo tempo em paralelo, a gente vem colecionando uma penca de desilusões amorosas. Porque o ‘novo padrão’ é o cara desencanado, que mesmo que queira, nunca vai demonstrar sentimentos porque isso é para os fracos. 
Então, eu vou dizer uma coisinha: ter uma mulher é para os fortes e não para pessoas medíocres assim.
Hoje eu estou começando a ver tudo de um ponto de vista bem diferente. Eu acho que independente do que se viveu, ou de quanto se errou em algum momento da vida, todo mundo merece ter alguém que lhe faça bem, que lhe trate bem, que lhe queira bem e que lhe cuide bem. Para podermos nos desenvolver saudavelmente lá nos primeiros meses da nossa vida, precisamos de alguém que nos fizesse isso e que, portanto desenvolvemos uma relação de amor muito forte. Porque desde o principio precisamos de alguém que cuide de nós. E não tem nada mais gostoso na vida. Isso é algo que nos faz viver!
Portanto, se você assim como eu, em algum momento surtou nessas crises existenciais que nós jovens gostamos de ter, se o medo da solidão também bateu a sua porta, lembre-se que você não precisa de metades quando você é capaz de ser completo sozinho. Não precisamos que ninguém nos deixe mais para baixo do que os nossos próprios pensamentos e inseguranças. Não precisamos de ninguém que nos trate com indiferença e não precisamos acreditar que isso é uma forma diferente de demonstrar amor e bem querer. Ou só “o jeito dele”.
A gente não precisa ficar mandando quinhentas mensagens para alguém que não se preocupa em mandar uma única perguntando como foi seu dia, ou se estamos bem. Porque no final das contas, uma relação seja ela qual for é composta por duas partes e se o esforço partir todo apenas de um lado, que neste caso é o seu, apague e recomece uma nova história. Com alguém que queira conjugar o verbo no nós e não só no eu.
A vida já é solitária demais para viver algo por dois.
E para terminar este texto, lembre sempre: quando vira nó é porque já deixou de ser laço. E mais ainda às vezes segurar algo, machuca mais do que deixar apenas ir.

Se não te agrega, deixe ir. Todos nós merecemos pessoas que nos somem e não que sumam quando mais precisamos delas. 

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