Sugestão de música para ouvir durante a leitura.
O texto de hoje tem uma certa carga melancólica.
Já fazia tempo que eu não escrevia sobre a tristeza, essas emoções "tristes" de nome pequeno e de carga emocional enorme, mas me peguei pensando muito em tudo isso nos últimos dias.
É difícil até de acreditar que eles existam às vezes, mas a verdade é que eles existem e que estão aqui para nos afogar numa amargura sem fim.
Não estou triste porque estou depressiva ou qualquer coisa assim. Também não está correlacionado as cargas que ando carregando sozinha. Eu só me senti vazia. Transbordada de vazio. Acho que todo mundo fica assim de vez em quando.
Então fiquei pensando em tudo que aconteceu nos últimos meses. O que foi triste.
É muito triste você se pegar pensando em tudo que você viveu e ainda sim pensar o quanto foi mentira. Até que ponto foi real? Foi real quando diziam que te queriam para ser mãe dos filhos? Foi real quando seus amigos disseram que iam ficar para sempre? É triste olhar em volta e perceber que nada daquilo foi concretizado. Tantos sonhos, tantos planos e ao mesmo tempo tantas promessas quebradas. As pessoas que você dizia conhecer na verdade, você se quer conheceu um dia, porque as pessoas são dissimuladas e elas mudam. Sabe seu namorado que você dormia todas as noites do fim de semana que você dizia conhecer como a palma da sua mão? Então você não conhecia. Sabe sua amiga que ficou com seu namorado, que você jurava de pé junto que ela era sua irmã e que nunca te magoaria? Então, você não a conhecia.
E é aí que gente começa a se dar conta que os para sempre, como diz John Green, são constituídos de agora. O agora a gente pode manter. O futuro não, porque ele não nos pertence.
O passado também já não nos pertence mais. Pois se assim fosse, conseguiríamos mudar tudo de errado que fizemos. Mas não podemos e não devemos. O nosso passado nos constitui agora inclusive.
Não devemos lamentar por algo que vivemos, é gostar de se torturar. Não devemos ansiar por um futuro que se quer sabemos o que pode resultar. O hoje é o que devemos viver. Um dia de cada vez. Se amar, ame hoje. Se sorrir, sorria hoje. Não pense no que passou e tampouco no que virá, a probabilidade de você ficar chorando largada e sozinha, é absurdamente grande, porque simplesmente não sabemos separar o que é nosso do que é do outro. Como estudante de psicologia hoje eu sei, às vezes depositamos expectativas nossas do que queremos num outro que de repente não quer ser.
Fiz muito isso. Às vezes sinto que ainda faço.
E por fim, hoje eu tomei a decisão de que não quero mais viver de passado. Eu não quero mais reviver o que eu vivi, martirizar, apertar meu próprio coração a fim de que ele sangre. Decidi me livrar de tudo que faz mal e inclusive do amor lindo, mas mentiroso que vivi. De todos eles. Comecei a fazer a limpa no armário. Tirei presentes: roupas, perfumes e cartas. Comprei coisas novas para repor e percebi que eu merecia esse espaço. Tirei do meu coração o mártire porque quem se quer merece. E decidi que vou deixar meu coração aberto para quem quiser entrar. Se der certo, ou não, sinceramente cheguei ao ponto de que se quer me importar. Porque já vivi tempo demais presa por um nó que deixou de ser laço há muito tempo.


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