Às vezes eu tenho a certeza que estou ficando louca.
Não para me dar o luxo de ter toda atenção voltada para mim, até porque não tenho. Também não é para as pessoas terem dó de mim, porque elas também não tem. Mas acho que comecei a surtar.
Há uma semana atrás, pela primeira vez nos últimos meses pensei em me matar e quase cheguei a concluir o ato. E isso, foi realmente muito triste. Como eu disse, não quis para ter atenção ou pena, mas apenas para acabar com um sofrimento dentro do peito junto com uma angústia que eu não sei de onde vem e nem para onde vai.
Tenho poucos amigos, porém os melhores que alguém pode ter de verdade. Tenho uma pessoa por quem estou apaixonada e faço loucuras, que jamais pensei em fazer. O pior, é que todo mundo agora sabe quem ele é, embora eu tenha muito mesmo tentado esconder.
A questão é que ninguém entende como eu ando para baixo nos últimos dias. Apesar de ter tudo isso, ainda sim me sinto triste. Não me acho digna de ter a paixão dessa pessoa, não me acho digna de ter amigos, ultimamente, não me acho digna nem de existir.
Eu realmente não sei o que aconteceu com a minha autoestima, que parecia maior quando eu estava ingerindo os meus tranquilizantes, que por sinal agora me recuso a tomar.
Algumas pessoas culpam meu ex-namorado, mas a verdade é que talvez, ele não tenha culpa de nada disso. Afinal, eu agora tenho certeza que nunca o amei. Ao invés de chorar ao ver nossas fotos, eu dou muita risada e imagino que fui retardada. Perdi três anos da minha vida, quando eu podia estar vivendo outras coisas... Larguei a pessoa por quem eu hoje estou apaixonada pelo meu ex. Podem até pensar que seja, mas isso não é amor. É usar alguém para ser seu troféu consolação e se apaixonar por uma opção. Eu me apaixonei, na mesma intensidade que me desapaixonei, porque essa sou eu. Ou sou 8 ou 80 e não existe meio termo. Ou eu sou, ou estou, ou nada.
Eu estou louca não é possível.
Eu sofro pelo meu término, sofro de verdade, afinal fazem apenas três meses que ele terminou comigo. Mas não sofro por ama-lo, na verdade sofro por pensar que eu tenho pena, afinal ele se tornou tudo que eu não queria que ele se tornasse para eu não carregar a culpa, como ele presenciou com o meu penúltimo ex-namorado.
Ele ainda não sabe, mas um dia ele irá descobrir que tudo de errado que ele está fazendo é na verdade para suprir a falta de um amor, um amor que no fundo ele sentia por mim.
Coitado, mal sabe como eu não valho a pena ser amada.
Embora, muitos amigos meus, e inclusive meu "crush" (crush aliás, foi uma palavra que descobri só depois que terminei) dizem que eu sou a mulher dos sonhos, mas não acho que seja. Meu crush diz que sou uma parceira que bebe junto, que curte balada junto, que sabe distinguir amor de sexo e sexo de amor, prática como todo homem quer, que dá risada das piadas idiotas, que cozinha bem, que sabe cuidar de uma criança e que ainda por cima é boa de cama, ele disse pra mim que nunca quis ter filhos mas que se um dia tiver, quer que eles tenham uma mãe parecida comigo. Quase entrei em paranoia quando ouvi isso.
Loucura, só pode ser.
Eu não sei nada disso por opção. Eu apenas aprendi a me virar sozinha na vida. Não sou a mulher ideal, não sou mesmo. Aliás, acho que sou uma das piores. Porque não fui uma filha boa, não sou uma mulher boa e sei que estou fadada a viver sozinha. Já aceitei o fato que nessa geração da família eu sou a que vai ficar para titia. Minhas primas todas que têm minha idade ou que são um pouco mais velhas já casaram, ou são mães e já tem sua família. Minhas amigas, idem. E eu? Sou a desapegada. A que só pensa em estudar e conhecer o mundo. E que destino me resta se não o de ficar sozinha? Eu já aceitei é verdade.
Eu já desapeguei de tudo, tudo que me fazia bem ou mal, desapeguei. Porque já não posso mais me envolver, essa sou eu de verdade. E mesmo que me pertença, eu não quero que pertença. Quero apenas viver, porque eu sei que o meu eu, pode ser melhor que outros alguéns. Eu não pretendo me abandonar, embora por dois segundos tenha aberto mão de mim quando estava sentada no parapeito do topo do prédio pensando se me jogava ou não. Porque, às vezes a gente tem essas crises de solidão, de nunca vou ser amada porque o nosso amor próprio também não é suficiente cem por cento do tempo.
Quem sou e quem me tornei, agora é o que quero ser pelo tempo que me restar.
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