Eu sei que nunca fui boa em escrever sobre as minhas felicidades. E se eu fosse alguma escritora do Club di Giuletta de Verona algum dia, seria justamente aquela que lida com a pior parte: perdas, corações partidos, paixões platônicas, relacionamentos afundados e abandonos. São os momentos que sei me expressar. Então hoje vai mais um.
Cheguei em casa na noite passada e então decidi que gostaria de mexer na minha caixinha de lembranças com o meu atual(?) namorado. Estamos encarando uma crise existencial do relacionamento e por mais que eu tente ser forte, estou passando pelo mesmo aqui dentro. Uma sensação que nem pasalix e nem o fluoxetina têm melhorado. Estou insegura. “Mas Laísssssss, você tem 19 (DEZENOVE) anos...”, contudo por dentro, é como se eu tivesse de volta meus 16. E nada disso faz o menor sentido.
Foi então que eu resolvi escrever, até porque minh’alma anda carregada de dores e conturbações difíceis de explicar. Depois que me afoguei em uma penca de lembranças e umas taças de vinho, as lembranças pareciam distantes. Naquela noite, de certa forma me arrebentou inteira por dentro.
Aí, eu comecei viajar no tempo... Nos bons anos, quando eu era “a mulher da vida dele”, em que passávamos noites bebendo e rindo, nos momentos em que buscávamos nos presentar com coisas criativas que tentassem explicitar o nosso amor. Me bateu uma imensa saudade. E quando tudo isso acabou, meu mundo começou a desfragmentar-se lentamente. Ou como Maysa Matarazzo diria numa linguagem leiga: “MEU MUNDO CAIU”.
Ansiei loucamente para que o tempo pudesse voltar. Mas infeliz o tempo já não pode voltar para tudo ser mudado. E tudo que foi feito e dito, hoje não pode ser apagado. Tempo após tempo.
Apenas acho que ainda não me acostumei com os defeitos que tenho, principalmente de afastar as pessoas que mais amo e amei de mim. Essa dificuldade de lidar com meus próprios sentimentos, me piraram. Tenho consciência do quanto eu me autossaboto constantemente e não vou dizer que estou feliz com isso, porque verdadeiramente não estou.
Tenho certeza que escrevi este texto para que eu mesma possa lamentar minha perda, por minha tão grande culpa de dizer o que não sinto. Sei que ele sequer lerá e tampouco se sentirá mexido. Mas a gente só sabe o que tem, quando está perto de perder.
E há pessoas que apenas dão valor quando perdem. Receio por isto.
Acho que tudo que foi feito, talvez possa dizer que foi em vão. De certa forma para ele os últimos dois anos tenha sido perda de tempo, ele poderia ter curtido muito os amigos, outras bocas e até outros corpos durante todo este tempo que estava preocupado em estar comigo. Agora eu acho que ele realmente acordou e viu que eu não valia tão a pena assim, viu que a vida é muito mais sem que eu esteja nela. Talvez ele poderá viver livremente, ser feliz. E tenho certeza que ele será, com ou sem mim.
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