Hoje eu vi a chuva passar. Um chuva tão fina que parecia uma simples névoa que passavas longe, mas sua pequena intensidade trazia até mim lembranças pesadas, e tão duras que fazia meu peito doer enquanto eu respirava. Até mesmo lembranças boas foram trazidas ao peito, mas era insuportável demais ao meu ego.
Estávamos no outono de 2011, eu tinha 15 anos, eu estava no 2º ano do Ensino Médio e por fim, eu estava apaixonada, loucamente apaixonada. Apaixonada, por um sorriso que fizeram meu coração parar. Eu jamais me esqueceria daquela sensação bizarra de sentir milhões de borboletas querendo sair do meu estômago, voando ao mesmo tempo. Como era bom estar apaixonada e esquecer do mundo que existia fora de mim. Tardes ouvindo o barulho da chuva caindo do lado de fora da casa, ou então manhãs extremamente frias deitados no banco de um parque, enrolados por um casaco. Há coisas que o tempo não apaga de fato, e que a memoria faz questão de não esquecer.
Ficamos juntos nas três estações daquele ano, e na primeira estação do ano que se veio. E então, ele partiu para sempre da minha vida, deixando seus rastros de marcas e feridas.
Fazem 3 outonos que nos deixamos. Triste, porém muito conformada. Triste por saber que quem mais perdeu nessa história toda fui eu e tão somente eu. Já que depois de tanto tempo, desconheço que eu era e o que eu me tornei. Eu era uma jovem, desarrumada, despreocupada, feliz e sorridente. Estava ótima minha vida assim. Eu quis o tempo todo o mundo inteiro que não cabia em mim. E estou conformada, acho que a vida me trouxe para onde eu chegaria de qualquer forma, não daria certo. Esse era o meu futuro, na minha vida era exatamente isso que eu deveria ter.
O fim foi preciso. Cheguei a essa percepção esses dias e precisei associá-lo bem mesmo! O fim foi apenas o começo de uma nova etapa, de novos sonhos e até mesmo de novas dores para mim. Já vi tantas vezes o fim na minha frente, e logo em seguida eu estava lá, juntando todos os meus cacos e refazendo minha vidinha aos poucos. Levo a vida com a calma necessária. Um dia de cada vez. Levo as amizades de infância que já não vejo mais, os amores tortinhos e até os meus contos que nunca dei um fim certo. Levo tudo, para apensar ter noção que vivi ‘TUDO AQUILO’. Posso até ter feito muito drama, posso até mesmo ter jurado que não iria dar a volta por cima, mas olha só: as dores passam. Sério. As dores passam e a vida passa. E tudo que precisamos muitas vezes é se deixar levar com ela. Tô me permitindo mais, me arriscando mais e querendo ser muito mais. Estou vivendo. Tudo conforme previsto: fim de um amor, choro, drama, mais choro, mais drama e no fim mais choro ainda. E não me dei por vencida.
Não quis chorar, porque eu estava largando tudo para trás, eu apenas sorri e tive a plena consciência que fiz tudo que eu pude. Não quis ficar triste, pois sabia que seria desgaste emocional sem qualquer sentido e eu estou numa fase que não quero me desgastar mais. Quero viver e pensar menos, e parar de vez de evitar minha vida. Não quero controlar a vida. Sabe, talvez ele fique triste ou aliviado por ler minhas palavras, vai saber, mas quero que saiba que eu estava apaixonada. E hoje eu fui embora antes que houvesse a chance de você partir o meu orgulho pela milésima vez em tão pouco tempo. Fui embora sim, fui embora mesmo. Você pode dizer que sou confusa, tão passageira e tão leviana, mas tudo isso foi para que você não precisasse partir o teu orgulho e que você pudesse lidar. Me fiz de leve para que você pudesse me carregar, mas ainda sim não quis. E aqui eu estou mais uma vez escrevendo para dizer que o fim NÃO É TUDO. O fim é ressurreição. É a nossa salvação. E infelizmente, o fim é apenas o “nosso fim”.

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