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Quando o vento levar a minha vida ..

Quando as estrelas tomarem conta do meu céu esta noite, vou chorar. Vou chorar meu choro manso e gritar baixinho para que ninguém ouça. Eu me recolherei com meu papel e minha caneta, e as montanhas farão eco em minha voz úmida e cansada. A silhueta dos meus pensamentos desenharão as medos que ecoam dentro de minha alma. É forte. Recostarei minha face na pálida estrutura do vento. Esperarei minhas mãos trêmulas desenharem e contornarem o estranho da noite, o aveludado véu da escuridão. Nos silenciosos gemidos que eclodirão nas iluminadas cadeias e espaços mortíferos que evidenciam cada pedaço da minha carne. Eu então me vi só , como se apenas existisse minha pele e meus gemidos, minhas dolorosas opiniões e é claro, minha solidão. Quando a última folha seca do orvalho cair poderei perceber minha vida caminhando com minha morte. Quando o grito percorrer meu interior e meus olhos enxergarem a sujeira que o vento leva, poderei perceber minhas mãos firmes penetrando na noite, debaixo da luz estonteante da lua. Perceberei minhas lágrimas inusitadamente fugaz, e ao ouvir os berros dos lobos da montanha, permitirei meu corpo descansar na terra que a qualquer momento pode engolir minha verdades, meu sofrimento e minha melancolia. O que seria de mim se não houvesse o vento para bagunçar minha eternidade e lançar ao mundo os soluços de lamento que se perderiam em meu túmulo e no percurso do meu último suspiro. Sento e observo o meu próprio destino, para que eu possa então vivenciar a escuridão da medonha treva. E então colocar em um papel a aflição de viver e presenciar a morte dos meus olhos, da minha alma e da minha carne.

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