Escrever sobre meu primeiro amor acaba sendo uma
coisa complicada, porque me questionei se:
1.
Era sobre o primeiro amor
(aquele que geralmente é infantil) que tive ou;
2.
Se era sobre a primeira vez que
entendi o que é amor.
Mas no fim, acho louvável
escrever um pouco sobre os dois.
É meio engraçado pensar, que o
meu primeiro amor é hoje a pessoa com quem eu divido meus dias. Porque esse
amor aconteceu quando eu era muito criança e foi o amor mais infantil que tive.
Consigo me lembrar do porque eu o amei: ele era o menino que tinha o cabelo
mais lindo do colégio e eu ficava encantada, como o cabelo dele saltitava por
causa do vento enquanto ele corria jogando futebol no pátio da escola. Eu tinha
6 anos. Ele foi meu primeiro amor por muitos anos, várias vezes diferentes e
também era o menino em quem eu quis dar meu primeiro beijo, quando completei 13.
Só que na real, a gente NUNCA se falou. A única vez que interagimos foi
voltando da escola na van escolar em 2005/2006, em que ele cantou uma música e
falou meu nome. O suficiente pra eu guardar pra mim a forma que ele falou
“Laís” com a voz de criança e eu quase ter um treco depois daquilo.
Mas a vida não é um livro do
romance (pelo menos não era) e as coisas nunca aconteceram do jeito que eu
quis. Mas como todo mundo sempre soube (vulgo a escola inteira) que eu apaixonadinha
nele, ele sempre foi muito marcado. A ponto de anos depois me perguntarem se eu
tinha notícias dele, ou sobre “o fim que ele tinha levado” e quando nos reencontramos
ele foi a vítima (como em outros muitos anos) do “com quem será” depois dos
parabéns a você no meu aniversário de 26. Depois da época do colégio, não o vi
por muitos anos, mesmo ele sempre estando de alguma forma perto do bairro em
que crescemos. Nem se quer eu sabia “o fim que ele tinha levado”, achei que estivesse
casado... Ou sei lá, qualquer coisa parecida que pessoas da nossa idade já
eram. Mas a vida tem umas reviravoltas muito doidas e um dia, sem mais nem
menos, nos reencontramos na igreja que comecei a frequentar por conta da minha
melhor amiga. Aliás, ela sempre acompanhou essa saga toda sobre ele ser o “meu
primeiro amor” desde o começo já que ela estava lá! E quando ela o viu, pelo
fato de conhece-lo e tudo mais, ela teve a brilhante ideia de forçar uma
situação e disse “você não lembra da Laís, não?” – eu consigo ter essa imagem
muito clara na minha cabeça, porque eu voltei ser a Laís de 2005/2006 gravando
a forma como ele me disse “oi” com uma voz de homem formado agora e eu querendo
me derreter e me tornar parte do banco da igreja. Enfim... Muito mais sobre o
que veio depois, não é foco do texto de hoje.
O ponto é que ele foi a pessoa
que me fez entender o sabor doce e amargo do amor, 1) porque nem sempre
alcançamos os desejos e vontades com as pessoas que amamos e 2) nem sempre vai
ser recíproco – pelo menos na época de escola eu achava que não era, já ele
tem outro discurso. E mesmo que nossa história tenha acontecido depois de 19
anos do jeito que eu realmente queria, percebi que se as coisas tivessem sido
como eu pensava, talvez reencontrá-lo não seria tão mágico quanto foi.
Sobre entender o significado do
amor, isso eu não aprendi quando eu amei o menino aos 6 ou aos 13 anos de
idade. Na verdade, eu vim entender mais velha, mais madura. E entender ele não
foi uma tarefa fácil. Muito pelo contrário. Foi amargo, foi dolorido e foi um
processo longo. Me relacionei por 3 anos com uma pessoa e esse amor, não foi um
amor que veio da paixão. Aliás, eu nem era apaixonada por ele. Mas com o passar
do tempo fui criando uma afeição e um carinho muito forte, quando me dei conta
eu estava amando. Foi um amor construído e costumo dizer que o amor construído
é o mais difícil de cicatrizar. Depois de anos juntos, passamos o dobro do
tempo separados e eu continuei esperando por alguém como ele na minha vida de
novo. Por 6 anos, ninguém foi “igual” a ele e eu tinha a certeza que não
acharia nada igual mesmo. Quando reatamos, foi como se o amor construído,
tivesse adormecido e ele voltou a toda força, como um vulcão em erupção. Mas
aquele amor todo, já não fazia mais sentido. Ele nem era mais o meu amor... E
eu tampouco o amor dele. Só que aquele amor ardente existia ali.
Depois de um tempo, entre idas e
vidas, ghostings e reaparecimentos, eu entendi que o amor era mutável. O amor
podia mudar. E o meu amor, que sempre vai existir por ele, mudou depois de
analisar melhor as coisas! Ele era a pessoa por quem eu, com certeza, me
jogaria na frente de uma bala quando eu tinha 19 anos. Mas a Laís de 25, já
passou a se questionar se era realmente alguém por quem valeria a pena se jogar
assim. Ele me ensinou muito sobre o amor insano... Desde que eu tinha 16 anos.
Mas aos 25, eu encerrei o ciclo e encerrei por amor. Por amor a ele. Por amor a
mim também. Porque entendi, que não valia mais a pena investir meu tempo, minha
energia e meu dinheiro, pelo simples fato de que não era mais eu a pessoa que o
fazia feliz. E mesmo amando muito ele, tendo a certeza que ele era o amor da
minha vida... Eu fui embora para deixa-lo ser feliz do jeito dele, com as
escolhas que ele estava fazendo.
É muito doido, pensar que a Laís
de 6, 13, 16, 19, 25 ou 27, foi uma Laís que teve diferentes formas de
primeiros amores. O primeiro amor do sentimento, o primeiro amor da vida, o
primeiro amor à primeira vista, o primeiro amor dependente... Vários primeiros
amores. Se fosse escrever sobre isso, daria muito mais que as 1086 palavras que
escrevi aqui. Mas de toda e qualquer forma, todos os primeiros me ensinaram
algo muito importante: se permitir sentir.
E sentir, é se sentir viva.
Mesmo que doa, que preencha, que machuque ou que seja feliz... A gente sempre
precisa se permitir sentir.

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