Isso jamais seria amor.
Seria hipocrisia.
Amar é um pouco além e muito mais. Mas amar também dói, causa sofrimento e desgastes. E a gente precisa aprender verdadeiramente a lidar e saber colocar a necessidade do outro acima da sua. Não sou nenhuma “expert” em amor, afinal de contas, se fosse não teria sido deixada cinco vezes e nem estaria correndo o risco de ser deixada uma sexta vez, muito provavelmente eu já estaria casada, talvez com um ou dois filhos, vivendo a vidinha que eu pedia a Deus quando era mais jovem, ou não.
No fim das contas ser deixada abriu muito meus olhos e eu percebo que eu pensava que estava certa sobre o que era o amor, que eu sabia de tudo. Mas eu não sabia, aliás, eu não sabia de nada e tenho muito que aprender e tenho dado muitas cabeçadas para isso. E tenho estado cada vez mais cansada de tentar fazer esta coisinha tão frágil, ser algo tão forte na minha vida. Meu pouco de experiência, já me deu sabedoria suficiente para perceber o quão frágil o amor é. Nunca entendi porque, mas o amor acaba. Sempre acaba. Minhas fantasias mentiram para mim, por muitos anos. O amor é frágil, e você tem que muitas vezes se reconstituir para que possa dar certo algum dia. Mas os vilões existem e quando você finalmente acha que por fim, acabou mais alguma confusão, percebe que não acabou nem de longe. Infelizmente, a felicidade de muitas pessoas é infelicidade de outras. Sei que tem sido extremamente errado, mas constantemente tenho pensado em acabar com infelicidade de muita gente pela minha felicidade, afinal de contas isso é AMOR. Não é o egoísmo e nem a infantilidade que tantas pessoas condenaram que eu tinha. Sei que sou falha, mas sempre soube o momento de parar, o momento de dizer a mim mesma “pare agora”.
Autocontrole não tem sido o meu forte nos últimos anos, mas tenho tentado não apontar mais os erros de ninguém, eternamente os erros estarão presentes e aquilo que julgo no fim das contas, pratico também. Freud definiu isso como um mecanismo de defesa do ego, denominado PROJEÇÃO. Fácil apontar no outro e não perceber que atribuímos nossas características mais odiadas a outrem. É exatamente o que eu estava fazendo do amor na vida: cobranças, mais cobranças e cobranças de novo, julgando e cobrando em outras pessoas uma coisa que eu mesma já não fazia há muito tempo. Precisei de um choque de realidade para finalmente a ficha cair. Já não era mais amor. Alias, deixou de ser amor quando passei a fazer isso, passou a ser dominância. E dominar e amar, são coisas completamente diferentes. Dominar é muito mais fácil que amar e cheguei a esta conclusão, enquanto estava em frente ao meu computador trabalhando, tomando um café na tarde fria de uma segunda-feira cansada. Dominar é cobrar do outro a satisfação. Uma satisfação que eu mesma já não supria há tanto tempo... Mas amar, procurar satisfazer o outro e colocar duas torradas na boca na hora de falar tudo que incomoda, é que é difícil. É mais fácil amar o outro numa mesa de bar, tomando uma cerveja e comendo um aperitivo, curtindo uma musica agradável e com um papo leve. Mas é “level hard” amar o outro quando a família diz que já deixou de apoiar o relacionamento de vocês, quando alguém vira para você e te diz que precisa de tratamento ou ainda mais, quando você pensa que está apaixonado por outra pessoa. Comum em todo e qualquer relacionamento desgastado, mas não deixa de ser amor. Afinal, amar é uma escolha e não uma condição. É a parte que mais dói, você ver a pessoa se afastando e amor aumentando, justamente porque você escolhe amar e continua querendo fazer isso de maneira correta. Somos falhos, jamais conseguiremos amar com todas as imperfeições. E depois de tanto pensar, estou começando a achar que o amor tem sido uma verdadeira utopia. Tudo tem sido mais acomodação, dominação, cobrança, imposição de desejo, mas não é amor. Deixou de ser querer, querer cuidar, querer ser abraço quando nada mais existir, querer somente querer.
O que aconteceu com o amor? Onde podemos encontra-lo? Como consegui-lo?
O que aconteceu com este mundo? Ninguém se importa mais com isso. E ninguém quer mais cuidar dos outros, colocando a necessidade dele acima da sua. Até quando o egoísmo dominará as pessoas? Até quando vamos querer os outros como o nosso próprio objeto de satisfação pessoal? Até quando o outro será olhado desta forma? Isso é amor? Até quando vamos encarar como tal? Precisamos deixar de olhar para o outro com o egoísmo, precisamos olhar para o outro, com a nossa alma, nosso coração. Buscar ser e ter o melhor para o outro, não para nós mesmos.
“Às vezes acaba em amor... Mas às vezes ao invés disso, apenas machuca.”

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