Heart Chat Bubble

Feito para esquecer!

Pensei mil vezes em acender um cigarro e colocar um copo de uísque com gelo antes de me sentar para escrever. Mas ao invés disso, peguei um saco de doce e uma garrafa de coca-cola que estava no congelador.
Escrevi a primeira linha e rabisquei. Comi duas minhocas de frutas ácidas e tomei um gole de coca. Escrevi de novo e rabisquei.
Nisso minha gata se enroscava de maneira nervosa nos meus pés, causando-me grande agonia. Meu peito estava tão apertado, que minha vontade era abrir e arrancar essa agonia de mim, essa dor que eu nem sei o que é.  Eu não ando bem. Eu não ando mesmo bem.  Sinto meu coração empedrado, como se nenhuma outra rocha fosse capaz de abrir. Eu ando precisando desabafar, mas não há ninguém para ouvir os gritos que ando precisando dar. Então toda noite o que me resta é o travesseiro, meu velho travesseiro da NASA como diria o professor de filosofia.
Acho que é verdade, minha mãe tem razão. “Porra Lais, o que tá acontecendo? O que você fez com a minha filha?” ela diz quando me vê brincando com a comida no prato na hora do jantar. “Nada mãe” é tudo que eu respondo. Mas quantas coisas no fundo, bem no fundo há nesse nada? Só que o que eu vou falar se não guardar pra mim? A verdade é que eu não estou mesmo a fim de ferir mais ninguém nessa história toda, de gregos e troianos como sempre.
Eu estou sufocada.
Verdades me sufocaram muito nos últimos dias. Não tá dando certo. Eu nunca soube encarar a verdade com a cabeça erguida, de salto, linda e bela, embora diante dos outros seja isso que realmente pareça, eu inatingível, inabalável. Maldita mania que eu tenho de construir muros de proteção contra qualquer tipo de sofrimento.  Mas puta que pariu, tá doendo demais dentro do meu peito tudo isso. É, é tudo isso.
Quantas vezes você desejou ficar o dia inteiro na cama? Quantas vezes ansiou pelo dia que pegaria sua mochila colocaria nas costas e sumiria sem  olhar pra trás? – Eu me pergunto o tempo todo.
Não sei onde essa droga de texto vai dar no fim das contas, nenhuma frase escrita faz sentido e eu também não estou fazendo. Eu ando confusa demais, maluca demais. É. O problema talvez seja esse.
Eu podia ter pegado o uísque e o cigarro, mas ao invés disso peguei doces e coca. Por quê? – Questionei.  “Porque você não sabe porra nenhuma da sua vida Lais”, uma voz sussurrava ao pé do meu ouvido. Não, não tá legal assim. Mudei a posição na cama. Mas não, não me agradou. Mudei de novo, mais confortável parecia. Olhei para o teto e não fluí mais. Minha gata se enroscava nos meus braços agora. Meu peito apertou mais. Puta que pariu – eu pensei – vou chorar de novo. E as minhas lágrimas pareciam não se controlar enquanto tocava a musica da Adele na playlist que tocava no som. Um rio de lágrimas com pequenos pontinhos pretos sujava meu travesseiro.
Verdades, verdades! Ecoavam na minha mente. E varias vezes, “e se...” “e se...” e “e se...”. Eu estou ficando louca. Não, não tá dando mais viver assim. Porra, eu preciso me mover! Droga! Eu continuo parada, estatizada, no mesmo lixo.  No mesmo pensamento. Merda. O que eu vou fazer agora?  Rabisca, rabisca a merda do texto. Não, não vai funcionar, guarda pra você refletir depois. Pega a ultima folha, escreve o que quer falar. Não. Esquece, vai machucar. Chora imbecil, te solta infeliz! E eu forçava as lágrimas a saírem, engolir elas era mais doloroso, e como era!
Tá esquece, esse foi só um texto droga, num momento meu droga que vai passar. Ou essa droga passa, ou eu entro em overdose duma vez.

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