Ainda escuto aquela voz que diz, “não há do que você
reclamar, você tem tudo que precisa”. Talvez o problema seja esse.. Por acaso
eu sei do que eu preciso? A minha vida é mais confusa que a América Central.
Hoje sou tudo e amanhã tão nada! Estou tão cheia e de repente tão vazia.
Ontem eu estava tão feliz, mas hoje eu não tive a menor
vontade de levantar da cama. Ontem eu queria conversar com todo mundo, mas hoje
eu não suportei as 12 vezes que meu celular tocou e era minha melhor amiga me
ligando e eu não atendi. Ontem eu estava linda, mas hoje eu fiquei vestida
igual uma largada, drogada.
Eu estou meio cansada de mentiras, de mentir. De sorrir e
fingir. Ser a manipuladora o tempo todo também é ruim. Passar a melhor
maquiagem e colocar as minhas melhores roupas todo santo dia, também é
tortuoso.
Estou exausta. Mas de que isso importa pras pessoas? Não
importa. Elas não se importam no fim das contas. Nem quero que se importem, tem
coisas que são minhas e eu não abro mão de continuem sendo minhas.
Que coisa puta bucólica essa! Mas é, é isso mesmo.
Eu estou num daqueles meus meios desabafos e pouco me
importa se você vai ler, se importar ou até achar que escrevi pensando em
alguém exatamente. Pouco me importa. Esse texto, depois de 690 textos
publicados pensados em pessoas, esse de agora, de hoje, escrevi pensando em
mim. Porque sou importante para mim também. Todos são importantes, mas eu sou
mais do que todos. Esse eu escrevi para que eu possa fazer minha reflexão em
cima dele. Para que daqui uns dias quando eu estiver lendo, eu me lembre da dor
inexplicável que eu estava sentindo dentro de mim. Da dor do vazio, da dor sem
razão ou motivo especifico. Para que eu me lembre de que eu preciso ser mais
sincera, não apenas com as pessoas do convívio diário, mas comigo mesma de
agora em diante. Porque a pior forma de mentir, é mentir pra si próprio.
Maldita ilusão.
Eu cansei dessa brincadeirinha toda que eu mesma fiz. De
repente, parece que esse joguinho panaca não acaba. O tempo todo, agora eu
quero ser eu. Quero ser a Lais. Sabe aquela? Que fala FODA-SE, CARALHO, PUTA
QUE PARIU...? Que grita, que chora e se
descabela inteirinha. Que consegue estourar um copo com a mão, entende? Quer
dizer, não, ninguém entende. Ninguém entende minha estupidez, grosseria e
arrogância. Porque é, eu sou exatamente tudo isso. Estúpida, grossa e
arrogante, e sou a maior parte do tempo. Mas quem sabe disso? Quase ninguém. Sou
muito mais aceita quando me porto com classe diante de todos, sendo serena,
maleável e não penso por mim mesma. Eu já fui assim, por isso sei bem fazer de
conta. Só que isso cansa. Estou cansada de não poder ser quem eu sou diante da
maioria das pessoas. Isso tem me deixado angustiada. Tem me deixado tão para
baixo não ser a Lais que tão poucas pessoas conhecem. Me deixa muito, muito,
triste.
Talvez, seja melhor ser assim mesmo. Continuar sendo a
manipuladora desse jogo, sujo e nojento em que eu mesma fiquei presa. Tem sido
a melhor forma. Estou sempre muito bem, obrigada. Me afogando em lágrimas por
dentro, estou ótima querida (o)! Mesmo morrendo, vamos sair? Preciso ver você.
Mesmo pouco me (perdão pelo mal palavreado) fodendo pro que você é capaz de
sentir, como você está? Continuarei estando dentro dos padrões para todo mundo.
Sou mais aceita e sociável não é?
Sei que é errado, que pareço uma pessoa esdrúxula e
hipócrita. Mas são poucas as pessoas que eu realmente vou me importar no fim
das contas. São poucas as pessoas que sempre vão saber como estou me sentindo.
São poucas as pessoas que vão ser capazes de ver sucumbir. São poucas, tão
poucas. Quase raras as pessoas que sabem esse meu lado obscuro e sombrio. Seria
preferível que nenhuma pessoa soubesse... Mas existem pessoas que captam isso
por menos de 2 segundos num momento de fragilidade (demais!) da minha parte, então
quando eu percebo já era... Meu segredo de estado vem à tona.
Eu quero mesmo acreditar que tudo isso, vai passar. Uma hora
tem que passar! Espero que eu tenha realmente o peito e a raça de fazer tudo
isso passar. Porque sinceramente, eu já não aguento mais. É essa minha vida que
está me matando aos poucos.

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