[...]
Ela sabia que não poderia continuar... Que o fim, era a única
solução. Para ela e para ele. Embora doesse vez ou outra, ela precisava seguir
em frente. A casa de alguma forma, ficava vazia sem ele. A motivação sumira de
sua vida, por completo. Não era mais a mesma cozinhar e não vê-lo sentado na
mesa esperando o almoço e o jantar serem servidos, não tinha mais graça
preparar os ovos com bacon só para ele no café da manhã. Muito menos, queimar o
dedo na chapinha porque queria que ele realmente tivesse a mulher mais linda do
mundo ao seu lado e que todos os dias, seria com ela que ele acordaria.
A vida havia dado ele a ela, mas a vida se encarregou de os
afastarem. Com os olhos marejados, um filme inteiro se passava em sua mente...
Desde o dia em que eles se falaram pela primeira vez, até o dia em que por
telefone ele disse a ela que não a queria mais.
Muitas vezes, é difícil imaginar um amor como o de Julieta,
que fora capaz de abandonar entes queridos... Ela havia feito isso, ela havia
abandonado uma vida inteira, por um amor que hoje, lhe magoara tanto. Que a
abandonara. Que a derrubara no chão.
Agora já era impossível conter suas lágrimas. Já era impossível
não pensar. Todos os dias, antes de dormir, era o sorriso dele que vinha em sua
mente. Todos os dias quando o sorriso dele aparecia na mente dela, ela olhava
para o lado e via ele, tão lindo, tão dela. E muitas vezes assim adormecera. Agarrada
com a ilusão de que algum dia ele voltaria para casa, pedindo perdão pelas
amargas palavras. Ela passou dias e noites sentada no sofá da sala de estar, se
questionando, o que havia dado errado? O que ela fizera para perde-lo desse
jeito?
Um ano se passara e ela continuou a esperar. Esperou que ele
abrisse a porta que um dia chorando, ele fechou. Ela desejou muitas vezes reencontrá-lo,
ou por alguma razão ir até a casa de seus pais, lhe contar sobre a vida, lhe
olhar, lhe dizer palavras sinceras de quem realmente amara na vida, lhe contar
sobre seu maior segredo. Mas ela achara melhor não encara-lo de novo, ela não
suportaria. Ao abrir a porta do quarto, via um sorriso que lembrava sempre dele
e isso fora o que a não deixara sucumbir depois de alguns meses.
Muitas vezes chorou debaixo do chuveiro. Muitas vezes, quis
morrer por saber o destino havia tomado. A vida dela se tornara um caos desde
que ele a deixou. Nada era igual, nada era a mesma coisa. Sem ele, o vazio
tomara conta dos pensamentos, da casa e do peito, e era aquele tipo de vazio que
corroia brutalmente.
Hoje ela sabia que amar... Era muito mais do que uma palavra
de quatro letras. Hoje ela sabia que amar, era muito mais difícil do que ela
imaginou.
Ela o amava, e seria difícil pensar na possibilidade de a
vida caminhara para o outro lado. Ela bem que tentava, mas não conseguia seguir
em frente. O passado a prendeu, ela continuava sendo a vitima. Ela queria mudar
tudo, ela só não podia.. Não mais.
[...]

0 comentários:
Postar um comentário