Hoje quando acordei, estava sozinha. Talvez fisicamente eu estivesse assim, mas com a sensação que eu sentia era impossível estar. Ou a impressão que eu podia ter era essa. Eu então me sentei na ponta da cama e por instante senti como se alguém me abraçasse, o que me fez ter a certeza ainda maior que eu não estava só. Olhei em volta e vi tudo igual, do mesmo jeito como todos esses anos que se prolongaram e quando olhei as fotos que ficam ao lado da cama, vi como eu mudei fisicamente e até psicologicamente. Há um ano atrás eu tinha planos tão perfeitos para minha vida inteira, planos com um carinha mais novo que eu pretendia casar, planos para filhos que eu nem sabia se teria, planos para as faculdades que eu queria fazer, para casa que eu queria ter, para os amigos “ETERNOS” que eu tinha, planos sobre a família ideal que eu queria.. Eram apenas planos, só planos. Quando eu percebi, os planos foram por água abaixo. O carinha mais novo sumiu, disse que não queria mais. Os planos para faculdade sumiram junto com ele, com os planos de filhos e família perfeita. Os amigos “eternos” foram sumindo um por um e quando eu vi, estava só. Era apenas eu e eu. E Deus sabe o quanto eu sofri com a frustração de todas as minhas vontades e de todos os meus planos não terem dado certo. Por um instante, eu até quis morrer. E tentei morrer. E eu morri. Mas eu vivi de novo. É estranho dizer isso, é estranho estar abrindo agora meu coração como nunca havia feito antes. Na verdade isso tudo, são apenas palavras que o meu peito precisava jogar para fora. Porque percebi que isso tem me angustiado pelo fato de por tanto tempo eu ter guardado isso pra mim, sofrendo calada, com um sorriso na cara, de maquiagem e salto alto. Às vezes eu apenas queria ser uma garota como cristal, frágil. Mas eu sei que não posso ser, afinal, sou eu a fortaleza de todo mundo. O meu dever é não sucumbir. Além de que jamais ninguém entenderia o que eu senti por tanto tempo. Foi nessa minha amargura, nessa minha dor que eu na minha tentativa de fugir do mundo real me afundei nas drogas, coisa da qual me arrependo amargamente eu sei que eu poderia ter sido um pouco mais forte. A gente erra tanto na vida e porque que seria diferente comigo? Mas eu sei que desse erro as manchas na minha vida jamais sumirão. E eu dou a completa razão as pessoas que me julgam por essa minha atitude, afinal elas não sabem meus reais motivos. Elas não sabem o quanto isso anestesiava a dor do meu peito, a dor que me matava aos poucos, e é por esse motivo que jamais as condenarei por isso, elas não sabem o que é sentir só numa multidão de gente. Afinal, uns me deixaram e outros eu acabei inconscientemente deixando, faz parte. Nesse momento eu analisei cada parte de mim e olhei pra um cartaz que fica na frente da minha cama no guarda-roupa e li a seguinte frase: “Deixa Deus curar as feridas que a vida lhe causou” e quem havia feito este cartaz, foi a mesma pessoa que algum dia me disse “eu não preciso do teu Deus”, é a mesma pessoa que hoje nem olha na minha cara mais. Aí eu penso comigo, será que Deus havia permitido passar por tudo isso para que eu percebesse que por mais solitária que eu fosse, por mais sofrimento que eu tivesse durante a minha vida, Ele jamais me abandonaria? Porque sinceramente, foi exatamente isso que eu comecei a sentir e os arrepios tomaram conta do meu corpo. Eu imagino que se não fosse Deus o tempo todo agindo em mim, eu não estaria aqui. Depois da mera alucinação que eu tive, eu parei de querer usar essas drogas ridículas que só fazem efeitos adormecentes por algumas horas. E comecei realmente a querer Deus perto e as coisas foram acontecendo, simplesmente acontecendo. Conheci novas pessoas, conheci novos “alguéns” e para ser sincera, prestei um vestibular muito mal feito para tentar mostrar para aquele carinha que disse que não queria mais que eu estava seguindo a vida perfeita.. Fui vivendo do jeito que dava, sem planos e sem vontade alguma. Fui apenas seguindo.. Mas Deus, tinha planos maiores para mim. Tive aqueles rolos bem típicos com carinhas idiotas, mas depois conheci um cara excepcional. Um pouco depois dele ter me pedido em namoro e eu por incrível que pareça (por ter prometido que eu não queria mais ninguém) ter aceito, algumas semanas depois recebi o comunicado da faculdade, eu passei e uma semana depois do meu aniversario de 17 anos fui fazer minha matricula. As coisas começaram a fluir. Embora de vez em quando eu ainda tenha meus pensamentos inconsequentes, que eu acho que é natural. Todo mundo deve ter medo de crescer, afinal com o crescimento vem-se as responsabilidades. Sei que vou me frustrar mais algumas vezes, mas eu estou vivendo a minha vida. Às vezes, sei que falta alguma coisa e sei o que falta. Sei que falta meu tio que de onde quer que esteja está me vendo e está orgulhoso de ver a "filha" dele (como ele tanto dizia) crescendo, a minha bisa que está orgulhosa de mim, meu primo que provavelmente me deu uns empurrõezinhos e que também está orgulhoso de mim, afinal comecei a caminhar sozinha agora sem depender das pessoas, meu mundo já não gira mais em torno de ninguém, o meu mundo é meu. Sei que sinto saudades daqueles amigos e de alguns momentos, mas acho que Deus sabe perfeitamente o que faz, não vou O questionar em momento algum.. Tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO tem razões para acontecer. Sei que não terei respostas agora para tudo que acontece. Mas um dia vou ter...
Eu sei que estou com medo de viver todas essas novas experiências, sei que fico insegura e que sinceramente de vez em quando quero desistir de tudo, quero só ficar agachadinha no meu canto, pensando sozinha em como tudo anda acontecendo. Mas alguém vem e me diz: Vale a pena meu amor? E meu consciente me diz que não.
Eu quero ser feliz e quem ai não quer ser feliz me diz? Se eu fugir, não vou ser feliz, não vou me encontrar. Então que a vida me leve, que tudo aconteça quando tiver que acontecer. Então me leva vida, então me leva!
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